Nimbos de bronze que empanais escuros
O santuário azul da Natureza,
Quando vos vejo, negros palinuros
Da tempestade negra e da tristeza...

Augusto dos Anjos

***

Nimboso dia prenhe de tristeza,
De atra solidão tenaz, profunda,
Que a mim me torna frágil, iracunda,
Perdida e só no limo da escureza...

Ah! Triste dia! Sórdido! Nimboso!
Que arranca d’alma lúgubres lamentos...
Tantos penares! Tantos! Sem alentos!
Funesto dia, frio e angustioso...

Faminto dia que devora tudo,
Vorace dia escuro e mui sanhudo,
que esgarça os sonhos todos, as quimeras...

Nimboso dia! Quero que te vás!
Eu necessito tanta, tanta paz...
E a luz do sol! E belas primaveras!