1. What do you think of reading aloud/being read to? Does it bring back memories of your childhood? Your children’s childhood?

2. Does this affect the way you feel about audio books?

3. Do you now have times when you read aloud or are read to?

Não tenho grandes recordações de infância, por isso não sei ao certo se gostava que me lessem em voz alta, mas acredito que sim. Quem não gostava quando era criança?
Agora eu a ler para os outros, a história já se complica. Já várias pessoas me disseram que eu tenho uma boa entoação e que gostam de me ouvir contar histórias, mas a verdade é que cada vez pareço gostar menos de o fazer. Não ajuda o facto de eu não gostar de estar no centro das atenções, quer de conhecidos, mas muito menos de desconhecidos.
No entanto recordo-me ainda com carinho de quando a afilhada da minha mãe ia a nossa casa passar fins-de-semana e me pedia sempre para lhe contar histórias antes de adormecer. Somos ambas mais ou menos da mesma idade por isso gostávamos +/- das mesmas coisas. Nessa altura achava graça a ser eu a contar-lhe histórias e sei que anos mais tarde, quando ela voltou a dormir lá uma altura (já nós estávamos a entrar na idade adulta), me pediu a mesma coisa e eu já me senti mais ... tímida (chamemos-lhe assim), mas ela lá me convenceu a contar-lhe uma história, pelos velhos tempos.
Recentemente a única altura que me lembro de ter lido algo em voz alta, foi para a minha mãe, que na altura estava doente e me pediu que lhe lesse um dos meus livros (uma parte). Eu não queria nada, mas lá fui eu.
A verdade é que não me sinto à vontade por duas razões: Como não ouvimos a nossa voz da mesma forma que os outros nos ouvem , quando penso que estou a falar bem, se calhar os outros estão-me a ouvir numa voz esganiçada. não basta já a minha voz ser poderosa (e é!, de tal forma que quando me oiço nos gravações, assusto-me), ainda por cima não sei se estou a fazer as coisas bem. Isso dá-me um medo de falar para o público, que não consigo ultrapassar, embora com a idade esse medo tenha vindo a diminuir em parte.

Continuo a gostar que leiam para mim e normalmente gosto muito que os autores leiam uma parte das suas obras nas apresentações dos livros, por exemplo (ai se um dia for eu no lugar deles, nem quero imaginar), e nos livros de prosa não sou muito esquisita quanto à entoação, desde que não seja monótona. No entanto, no caso dos livros de poesia, vou ser sincera e dizer que poucos foram os autores que ouvi que souberam ler com sentimento os seus próprios poemas. Poderia ser do nervosismo, ou talvez não. A verdade é que para se entoar poesia é preciso, não só sentir as palavras, como expressá-las. E isso não é para qualquer um. Felizmente quando o fazem bem, fazem-no MESMO bem.

No caso dos audiobooks, já experimentei alguns e só um número relativamente reduzido me cativou realmente. É um risco porque, já que a maioria dos audioboks só tem um narrador, ou este/a é mesmo bom/a e sabe entrar na pele de todas as personagens que falam, ou então o audio-livro pode ser um desastre. Também é preciso que a voz seja minimamente reconhecível com a personagem que faz de narrador no livro original. Não vamos colocar uma mulher a narrar um homem ou um senhor de idade a narrar um adolescente. (a menos que sejam pessoas que realmente conseguem gesticular a voz, como há alguns talentosos).

Já em relação à terceira pergunta, normalmente não o faço com livros que estou a ler, mas de acordo com um dos conselhos do David Soares, de vez em quando, enquanto faço a revisão das minhas histórias, leio-as em voz alta para perceber a 'sinfonia' das palavras. Não o faço sempre, mas é um exercício que acho muito construtivo.