Este desejo insano que me tira o tino,
Que assim me deixa entregue desse modo langue,

Desliza em minhas veias, me percorre o sangue,

E sangra minha tez com seu poder latino...

Explode qual vulcão rasgando-me a garganta,

E implode-me por dentro, me machuca a alma,

Tal como lavas sobre mim também se espalma,

E aumenta esse delírio que meu ser decanta!

Alastra-se em mim, deixando-me faceira,

Fazendo-me florir, ficar sem eira ou beira,

Roubando-me a razão e todos meus sentidos!

Desejo que provoca dentro em mim fogueira,

Abrindo em minha verde mata esta clareira,

Entorna minhas seivas, meus vitais fluidos!