Para contrastar com o post da semana passada, esta semana temos «Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo» de Chimamanda que é uma carta destinada a uma amiga com alguns pontos sobre como educar a sua filha bebé para o feminismo:
- Sê uma pessoa inteira.
- Façam-no juntos. Lembras-te de na escola primária termos aprendido que os verbos indicam ação? Bem, um pai é tanto verbo como uma mãe.
- Ensina à tua filha que a ideia de «papéis para cada género» é uma tolice.
- Cuidado com o perigo daquilo a que chamo Feminismo Linha Zero. Ou se acredita na plena igualdade dos homens e das mulheres ou não.
- Ensina a tua filha a ler. Ensina-a a gostar de livros.
- Ensina-a a questionar a linguagem. A língua é o repositório dos nosso preconceitos, das nossas crenças, das nossas pressuposições.
- Nunca fales do casamento como uma forma de realização pessoal
- Ensina a tua filha a rejeitar o desejo de agradar.
- Dá à tua filha um sentido de identidade.
- Sê deliberada na forma como abordar a questão da aparência dela.
- Ensina-a a questionar o uso selectivo da biologia que é feito pela nossa cultura como «razões» para certas normas sociais.
- Fala-lhe sobre sexo, e começa cedo.
- Assegura-te de que estás a par do amor romântico na vida dela. Penso que o amor é a coisa mais importante na vida. Seja de que tipo for, como quer que se defina, mas encaro-o geralmente como ser-se altamente valorizado por outro ser humano e valorizar altamente outro ser humano.
- Quando lhe falares sobre opressão, tem o cuidado de não transformar os oprimidos em santos.
- Informa-a sobre a diferença. Torna a diferença comum. Torna a diferença normal. Ensina-a a não atribuir valor à diferença. E a razão para não o fazeres não é para ser justa ou bondosa, mas meramente para ser humana e prática. Porque a diferença é a realidade do nosso mundo. E informando-a sobre a diferença estarás a prepará-la para sobreviver num mundo de diversidade.
