
«No despique das letras, em que acontecia noutros tempos, entre nós, perder-se todo o decoro, e hoje, tantas vezes ainda, o respeito à rectitude e à lisura, imputam-se ao escritor falhas que são méritos e mesmo pecados contra o espírito de que está isento. De modo geral, o juízo que se professa acerca da sua pessoa literária e obra é comparável às horas que davam as antigas meridianas de algibeira: coisa sempre aproximada, sem precisão; à matroca.
Há escritores regionalistas em Portugal? Na acepção estrita do termo, tal como é definido pelo Código Justiniano da estilística em vigor, supomos que não. Por via de regra quando entre nós se chama regionalista a um escritor é com intuitos malévolos. É dá-lo dotado de asas curtas, impróprias a voo de altanaria. Ocupe-se da pata-rega e do caldo-verde, do homem primário, das naturezas rudes. As madamas complexas, de unhas pintadas, os homens civilizados, furta-cores, os requintes da vida e da alma, o caviar em suma da civilização não é consigo, deixe isso aos Bourgets da capital.»...