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| Fotografia da minha autoria |
«ou o pouco que sei sobre aquilo que faço»
O processo criativo de um artista fascina-me sempre, até porque acredito que, conhecendo-o, estamos a alargar horizontes e a aprender. Não obstante, importa filtrar a experiência partilhada e adequá-la ao nosso contexto, atendendo a que aquele ponto de vista é um caminho, não uma imposição. Mas é maravilhoso deambular pelos bastidores. Por isso, não podia perder a oportunidade de descobrir o livro de João Tordo.
«A verdade é que, sem este quadro neurótico, eu não me teria tornado escritor»
Manual de Sobrevivência de Um Escritor é um relato bastante honesto e transparente acerca do seu método, da relação com a literatura e da viagem que este ofício pode proporcionar, mas sem romantizar a realidade envolvente. Porque há fracassos, dificuldades e frustração. Portanto, partindo da sua experiência, convida-nos a olhar intimamente para esta arte, na qual vamos permanecendo pela paixão às palavras.
«O verdadeiro mistério é o visível»
Esta obra, reparem, não é um guia de como escrever. E, ao contrário do que o nome possa transparecer, não é um compêndio de regras que nos encaminham para uma carreira de sucesso. É, antes, um veículo para compreendermos que o percurso não é isento de dúvidas e angustias; e que exige uma postura consciente e crítica da parte de quem o quiser abraçar. Misturando algum pragmatismo e humor, o autor equilibra a vertente técnica e a perspetiva pessoal, levando-nos a questionar uma série de comportamentos e abordagens.
«Escrever não serve para ensinares ninguém.
Quando muito, serve para aprenderes quem és»
Naturalmente, não me revi em todas as apreciações apresentadas. Porém, um dos aspetos positivos da narrativa é que potencia o debate, sobretudo, porque Tordo não nos influencia a cogitar como ele. Ele expõe a sua verdade, as emoções que o agregam e aqueles que o inspiram. E fâ-lo de uma forma despretensiosa. A partir daí, o leitor constrói uma imagem deste meio «que encanta a Humanidade desde os seus primórdios».
«Quando ouvi, pela primeira vez, que um romance meu
precisava de ser reescrito, o meu ego insuflado de escritor-de-um-só-
-livro-que-se-considera-um-génio foi beliscado pela primeira vez. E doeu»
Manual de Sobrevivência de Um Escritor é um pedaço de alma, onde há espaço para conselhos e histórias de vida. Seguindo à boleia das suas palavras, percebemos que o impacto será sempre distinto, singular. Não creio que seja uma obra exclusiva para escritores [conhecidos ou anónimos, publicados ou por lazer]. Pelo contrário, sinto que se adequa a qualquer um que se interesse pelo percurso até chegar ao destino. E como é um exemplar que pode servir vários propósitos, sei que hei-de regressar, mais vezes, a esta bela aventura.
«Sair do lugar onde nos sentimos confortáveis pode ser o princípio de qualquer
coisa importante, que só descobrirás mais tarde, ou até depois de teres regressado»
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