No final do verão de 2013 e depois da desilusão com a compra de "Sôbolos rios que vão", fui à biblioteca - algo que gosto muito de fazer - e escolhi "Jerusalém" por nenhum motivo em especial. Porque me calhou passar a mão pelo livro e me chamou a atenção a lombada negra. Porque agarrei e vi que tinha recebido um prémio de José Saramago em 2005 e o Prémio Ler/Millenium BCP. Da coleção "O reino" da editora Caminho, "Jerusalém" é um dos "livros negros" de Gonçalo M. Tavares.

Em cada capítulo, Gonçalo Tavares vai-nos apresentando as personagens e pela ordem em que vai contando cada episódio se vai entrelaçando a teia e ficamos a perceber o que aconteceu naquela noite/madrugada e o porquê daqueles acontecimentos. "Ernst e Mylia", "Theodor", "Hanna, Theodor, Mylia".

Mylia tem esquizofrenia. Tem um filho. Theodor é marido de Mylia. É médico. Não é o pai do filho de Mylia. Mylia não está com o filho... já vos parece interessar a história? Os "loucos" que estão com Mylia no Hospital psiquiátrico, são muitos, com um curto papel, mas com a sua importância na trama.

Gostei da história, que é de leitura rápida, mas deveras envolvente e interessante. Gonçalo tem uma forma de escrever umas vezes subtil, outras extremamente direta, como se ler nos pusesse na frente dos acontecimentos, naquele lugar que nos custa a perceber qual é - e que também não importa, é a descrição dos acontecimentos que tem relevância e não a sua posição geográfica - nem o tempo em que ocorreram.