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| Fotografia pessoal |
Tema: Saúde Mental
Avisos de Conteúdo: Depressão, Suicídio, Ansiedade, Preconceito
O conhecimento psicológico é vasto e complexo. Porque o ser humano é feito de emoções e identidades próprias. Por muito que um problema seja transversal, nunca será experienciado da mesma maneira. E a literatura tem a capacidade de nos providenciar um caminho de compreensão maior sobre o assunto, visto que cada escritor procura interpretar e dar voz a todos esses cenários. É por essa razão que nos conseguimos rever nesta multiplicidade narrativa, porque tem uma ponte para vários tipos de comportamentos e realidades.
«Quanto menos tiver, mais a minha liberdade está confinada»
A necessidade de intervir, nas obras literárias, tem sido uma prioridade, porque há um compromisso para auxiliar «pessoas em condições de sofrimento». No entanto, é percetível «a fraca disponibilização de acesso a serviços públicos» e, pior, «o estigma na procura de profissionais para os assuntos de saúde mental». Assim, com o intuito de quebrar essa barreira, a Ordem dos Psicólogos desafiou oito autores portugueses a explorarem «as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta».
«(...) é difícil amar alguém que use a vida como quem constrói um poema»
Uma Dor Tão Desigual é, portanto, um livro de contos, que interliga a imaginação de Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Joel Neto, Maria Teresa Horta, Nuno Camarneiro, Patrícia Reis e Richard Zimler com a campanha de sensibilização em vigor - Encontre Uma Saída. Através de estilos de escrita particulares - e inconfundíveis -, encontramos textos criativos, focados numa perturbação em específico, que nos consciencializam para a importância de estarmos atentos e de cuidarmos sempre da nossa saúde mental.
«Foi a primeira vez que se pronunciou nessa noite, uma frase com princípio, meio e fim»
A liberdade criativa ficou à responsabilidade de cada autor. Por isso, há patologias que não são simples de delimitar. Porém, esse é, também, um dos traços mais fascinantes do[s] enredo[s], pois atribui poder de análise aos leitores. Além disso, leva-nos a refletir sobre a pressão associada à depressão, à solidão e à demência, ao mesmo tempo que nos incentiva a desconstruir as margens que impedem a edificação de muros. Naturalmente, existem contos que nos marcam mais, mas cada um deles leva-nos numa viagem intimista pela perda, pelo delírio e pela esperança. Porque são relatos verosímeis, com histórias que poderiam ser nossas.
«(...) a fixá-la feição por feição, a fim de a resguardar
para todo o sempre dentro do seu coração»
Uma Dor Tão Desigual é uma coletânea pertinente, centrando-se num tema ainda tabu. Funcionando como um alerta, incentiva-nos a reconhecer sinais e a pedir ajuda. Mesmo que o caminho permaneça longo, foi dado o mote para que se abram as portas destes «quartos escuros». Porque o preconceito não pode ser mais forte. E porque, tal como mencionou Telmo Mourinho Baptista, «não existe saúde total sem saúde mental».
«Acreditas realmente que as almas têm uma direção?»
// Disponibilidade //
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