Ir à FNAC na terra que inventou a FNAC.

Ora, eu sei que falar na FNAC numa cidade com livrarias tão icónicas e tão bonitas é quase crime; por outro lado, é possível vir à França, gostar de comprar livros e CDs e não pensar numa FNAC?

Verdade seja dita: nunca tinha comprado livros numa FNAC francesa. Isto porque, das duas outras vezes que cá vim, só fui à FNAC dos Champs Elysées, que é algo pequena e pouco provida de livros (notem-se, no entanto, os excelentes descontos de música que sempre lá encontrei).

Desta vez, até por ser a mais perto do local onde estou instalada, fui à FNAC do Forum des Halles. Les Halles costumava ser o mercado de frescos de Paris, e foi, nos anos 70, substituído por um centro comercial gigantesco e maioritariamente subterrâneo que ainda está basicamente em construção.

Esta FNAC tem vários pisos, sendo que ainda não os vi todos; o -2 é onde se encontra a livraria, e só este piso é talvez do tamanho da FNAC do Colombo, em Lisboa. A livraria está organizada muito por géneros: BD, literatura francófona, livros técnicos, literatura noutras línguas, sci-fi, etc. Imaginem qualquer FNAC, mas em maior, e em mais francês, recheada de livros de bolso de lombadas maioritariamente brancas. A secção de BD é maior que uma secção de literatura traduzida em qualquer FNAC portuguesa onde já entrei. Em resumo: é enorme. E  a importância dada à BD faz sentido, dada a enorme tradição francófona, visível pela forma como nomes como Astérix, Tintin ou Lucky Luke nos são familiares. Também me chamou à atenção Philippe Geluck, que acaba de lançar um novo livro na sua colecção Le Chat.

Na zona da literatura francófona (a que mais me interessava, na verdade - quero ler em francês, mas só quero ler francófonos em francês), é fácil uma pessoa perder-se: toda uma longa fila dedicada ao teatro (Racine, Molière, Sartre) e uma enorme selecção de Simone de Beauvoir, Albert Camus, Céline, Colette, Alexandre Dumas, André Gide, Victor Hugo, Françoise Sagan... entre tantos outros autores de quem quero ler mais, ou que quero conhecer.

Fiquei de olho em várias obras, confesso - mais do que tenho coragem de dizer. No entanto, veio comigo para casa La Chatte, de Colette, uma autora cuja obra me interessa toda - mas que melhor para começar que um livro que envolve gatos?

Pequena falha, algo comum em livrarias que vendem livros em inglês aqui: a selecção de livros em inglês é maioritariamente young adult, best sellers e novidades, não havendo muito investimento nos clássicos franceses noutras línguas (enquanto que, em Portugal, vemos frequentemente em destaque na FNAC, na zona de literatura em outras línguas, António Lobo Antunes e Saramago em francês ou castelhano).