«Quando a chuva teima em insistir

Num universo em que a chuva é normal

Se molha o sítio de onde não queres sair

Mudas de espaço mas continua igual

Há qualquer coisa estranha a perfurar

Mas essa pele já não sabe sentir

Já não tem nervo para sair do lugar

Faltam-te forças para parar de dormir

(...)

Se o dia grita mas não sabes ouvir

Porque é no escuro que te sentes melhor

Quase te acorda mas não sabes sentir

Quase te queima mas não sentes calor

Há qualquer coisa que te faz duvidar

E desconfias do que vem a seguir

O mundo voa mas preferes ficar

A luz acorda mas decides dormir

E dormes tu sem chamar à atenção

E durmo eu por te ver a dormir

Talvez por dentro não bata um coração

Talvez a chuva teime em insistir

Mas se o mundo ameaçar o meu chão 

Eu sei que não vou querer desistir

Que dentro bate forte o meu coração

E vai bater até eu cair

Enquanto bate não me cega a razão

Não vou descer abaixo de mim

Por isso bate forte o meu coração

Bate, bate dentro de mim

Bate, bate dentro de mim»