Fotografia da minha autoria

«Livro é tão bom que deveria ser elogio»

O meu aniversário aproxima-se. E eu tento evitar pensar no quanto será diferente, este ano, por causa da nossa atual condição [é por um bem maior]. No entanto, no meio de toda a imprevisibilidade e instabilidade que nos envolve, há algo que permanece como símbolo de paz e de esperança: os livros. Que serão sempre aliados de peso em qualquer combate, seja para viajar sem sair do lugar, seja para minimizar as saudades ou, então, para equilibrar a nossa saúde mental.

Sempre fui muito fácil de agradar, até porque é o cuidado em si que me emociona. Porém, desde que a literatura se tornou numa paixão, ficou ainda mais simples surpreender-me e, por consequência, presentear-me. Não tem como enganar. Portanto, como livros nunca estarão em demasia na minha estante, a lista de desejos - para além do óbvio que é poder reunir-me e abraçar os meus - não ficaria completa sem englobar esta arte que me define por inteiro. E que ficou com o meu coração até ao fim do fim. E como é maravilhoso termos este colo que nos conforta.

As opções são imensas, mas esta é a seleção que mais me entusiasma.

O Que Nos Magoa // Diogo Simões: «Tudo o que Francisca desejava como prenda de aniversário era descobrir o que a vida lhe reservava para o futuro. Na noite em que completa dezoito anos, conhece Daniel, um jovem que lhe desperta novos sentimentos. Com um passado recheado de medos, Francisca deixa-se envolver pelo rapaz misterioso».

Para Onde Vão os Guarda-Chuvas // Afonso Cruz: «O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso».

A Rede de Alice // Kate Quinn: «Trinta anos depois, atormentada pela traição que acabaria por ditar o fim da Rede de Alice, Eve passa os dias embriagada e isolada do mundo na sua decadente casa, em Londres. Até ao dia em que uma jovem americana lhe bate à porta e a recorda de um nome que Eve tudo tem feito para esquecer».

Caraval // Stephanie Garber: «Scarlett Dragna nunca saiu da pequena ilha onde ela e a irmã, Tella, vivem sob a vigilância do seu poderoso e cruel pai. Scarlett sempre teve o desejo de assistir aos jogos anuais de Caraval. Caraval é magia, mistério, aventura».

O Filho de Mil Homens // Valter Hugo Mãe: «Raramente a literatura universal produziu um texto tão sensível e humano quanto este. O filho de mil homens é uma obra da ourivesaria literária de Valter Hugo Mãe. Uma experiência de amor pela humanidade que explica como, afinal, o sonho muda a vida. Crisóstomo, um pescador solitário, ao chegar aos quarenta anos de idade, decide fazer o seu próprio destino. Inventa uma família, como se o amor fosse sobretudo a vontade de amar».

Illuminae // Amie Kaufman: «É diferente de todos os livros que alguma vez leste. Através de documentos pirateados, emails, mapas, arquivos militares, transcrições de interrogatórios e mensagens, vais descobrir que o pior dia da vida de Kadie é apenas o início da história».

Os Testamentos // Margaret Atwood: «Quinze anos depois de A História de Uma Serva, o regime teocrático da República de Gileade mantém-se no poder, mas há sinais de que está a começar a cair por dentro. Neste momento crucial, os percursos de três mulheres radicalmente diferentes cruzam-se com resultados potencialmente explosivos».

Os Outros // C. J. Tudor: «Uma rapariga pálida num quarto branco… Ao conduzir uma noite para casa, Gabe vai atrás de um velho carro, quando vê a cara de uma menina aparecer na janela».

O Ano do Pensamento Mágico // Joan Didion: «É assim que Joan Didion inicia a sua viagem pela memória do ano mais transformador da sua vida, começando na noite em que o seu marido, o escritor John Dunne, com quem foi casada mais de 30 anos, morre de ataque cardíaco, e a sua única filha está em coma no hospital».

Jogos de Raiva // Rodrigo Guedes de Carvalho: «Um homem levanta a voz acima da algazarra de conversas. E pede que ponham mais alto o som do televisor do restaurante. É então que todos reparam no que ele vê. Não percebem ou não acreditam. E na rua, no bairro, na cidade, no país, homens, mulheres e crianças vão-se calando. Está por todo o lado, a imagem horrível e hipnotizante. O homem que pediu silêncio leva as mãos à cara e pensa: como chegámos aqui?».

A Cor Púrpura // Alice Walker: «Aborda temas como a violência doméstica a que estavam sujeitas as mulheres negras no início do século XX, a relação dos negros com o seu passado de escravatura, e a busca do espiritual num mundo cruel e sem sentido».

A Civilização do Espetáculo // Mario Vargas Llosa: «Uma duríssima radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, pelo olhar inconformista de Mario Vargas Llosa. A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são sintomas de um mal maior que afeta a sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo a nossa natural propensão para nos divertirmos. No passado, a cultura foi uma espécie de consciência que impedia o virar as costas à realidade. Agora, atua como mecanismo de distração e entretenimento».

Mulherzinhas // Louisa May Alcott: «As irmãs Meg, Jo, Beth e Amy conhecem algumas dificuldades depois da partida do seu pai para a guerra e dos problemas económicos que a família enfrenta. Mas o espírito lutador e de união que reinam naquele lar ajudam-nas a seguir em frente. Quer em casa, quer nas relações com os amigos e vizinhos, elas conseguem surpreender e continuar e ser fiéis aos seus sonhos, vivendo cada dia com esperança e boa-disposição».

Extras: Pelo valor simbólico e, em parte, sentimental, há obras que permanecerão transversais a qualquer lista que crie, sendo o caso d' O Principezinho - O Grande Livro Pop Up, as Edições Ilustradas de Harry Potter [excluindo A Pedra Filosofal, que já tenho], a versão comemorativa dos 20 anos com a sobrecapa da minha casa [Gryffindor] e The Beauty and The Beast, de Gabrielle-Suzanne Barbot de Villenueve.

Há algum livro que considerem prioritário incluir na minha lista?