imagem/divulgação Fred Astaire me fascina continuamente com seus personagens sedutores, sempre elegante em seu perfeito sapateado. André Filipe Antônio Maria escreveu que ninguém tem pena de quem chora no cinema. Pobre de mim que sou fanático por cinema e choro facilmente diante da telona. É uma paixão incurável que me coloca automaticamente no rol dos cidadãos dos quais ninguém deve ter pena. Assim de cabeça consigo me lembrar de algumas cenas que me fizeram lacrimejar ou até mesmo chorar que nem criança. No filme Um Dia, de 2011, há uma cena em que o filho carrega a mãe, já debilitada, no colo escada acima. Uma inversão de papéis emocionante que me fez soluçar baixinho na sala de cinema. Caso parecido ocorreu em Para Sempre Alice, onde a mãe – magistralmente vivida por Julianne Moore – recebe o carinho da filha, enquanto sua memória vai lentamente se apagando em razão de um Alzheimer precoce. E como não lembrar de A Vida é Bela, filme primoroso do italiano Roberto Benigni. Até hoje a atuação do pequeno Giorgio Cantarini é capaz de amolecer os corações mais duros. À esta altura alguns leitores podem estar me achando piegas ou sentimental demais. Bem, o que posso fazer? Não me controlo diante de uma boa história de amor. Amor em suas mais variadas formas: entre pais e filhos, homens e mulheres, irmãos, a família, enfim. Mantenho em casa uma boa coleção de DVD’s de filmes raros que, infelizmente, não encontramos no streaming nem na TV aberta. Tive minha fase de amor por Gardel. Quando descobri que ele havia atuado – sofrivelmente , diga-se de passagem – em alguns filmes como Tango Bar e No Dia Que Me Queiras, tratei de encomendá-los direto de uma livraria de Buenos Aires. Ainda nos musicais, Fred Astaire me fascina continuamente com seus personagens sedutores, sempre elegante em seu perfeito sapateado. Mas eis que já divago demais nessa crônica e não quero cansar ninguém. O que quero dizer, meus caros leitores, é que a ficção é muito melhor que a realidade. Todos dançam, bebem champanhe, se vestem bem, amam sem medidas e, mesmo quando sofrem, há um certo encantamento, um glamour. É esta a magia do cinema. Antônio Maria que me perdoe, mas vou continuar chorando.