(Conferência de abertura: “Documentação narrativa e investigação-formação-ação em educação”)
No início do mês de abril, aconteceu, aqui, em Salvador, o IV Simpósio Memória, (Auto) Biografia e Documentação Narrativa, promovido pelo grupo de pesquisa GRAFHO (Grupo de Pesquisa Autobiografia, Formação e História Oral) da Universidade do Estado da Bahia.
A conferência de abertura ficou a cargo de Daniel Hugo Suárez (UBA), aconteceu em espanhol e o referido professor defendeu a adoção de um novo dispositivo pedagógico, a documentação narrativa, que, segundo o pesquisador, fomenta uma relação horizontal – portanto contra-hegemônica e descolonializadora – dentro dos espaços educacionais diversos.
A organização do evento previu discussão em vários eixos relacionados ao tema principal do evento. O Eixo Temático III: Documentação Narrativa, escrita de si e formação apresentou comunicação de pesquisadores que desenvolvem pesquisas afins a meus interesses. Participando da Sessão 8, coordenada por Carmem Sanches Sampaio (UNIRIO), conheci, além de outras propostas interessantíssimas, um pouco do trabalho de Jamile Maria Nascimento de Assis, estudante de pós-graduação da – vejam que interessante – UFBA. Em sua comunicação, A visão da Cordilheira: Daniel Galera e o campo literário, Jamile lança um olhar sobre a construção de imagens do campo literário no romance Cordilheira. Em uma leitura que se aproxima da minha em muitos momentos, Jamile não somente observa como vai se desdobrando o campo em volta da personagem escritora Anita, mas busca assimilar as experiências da personagem com as experiências de Daniel Galera (autor do livro) enquanto elemento do campo. Estratégias de inserção no campo e as perspectivas de literatura de ambos são contrapostas na análise de Jamile, o que me fez acreditar, mais ainda, na necessidade de um diálogo entre a minha pesquisa e o trabalho que a pós-graduanda vem realizando.
Não sei se, como apontado, Galera vem a ser um autor de sucesso (o sucesso me parece uma invenção do mercado). Contudo, é inegável que cada vez mais se comenta sobre o autor nos espaços acadêmicos. Penso, portanto, se isso significaria algo à figura de escritor de Daniel Galera. Acredito que vale a especulação.