"A Vida na Porta do Frigorífico" de Alice Kuipers (Editorial Presença)

Sinopse:
Claire e a sua mãe vivem na mesma casa, mas, para todos os efeitos, é como se vivessem em planetas diferentes. As duas raramente se cruzam, e a porta do frigorífico acaba por se tornar a plataforma de contacto onde deixam recados uma à outra e se vão mantendo informadas acerca dos acontecimentos das suas vidas. Mas um dia Claire depara-se com um recado diferente do habitual, e a partir daí terá de lutar contra a distância que as separa e contra o tempo que se esgota… 

Opinião: 
Quando recebi este livro pelo correio, na quinta-feira, abri-o (como faço sempre) para dar uma espreitadela lá para dentro. Fiquei muito surpreendida ao notar que a maioria das páginas estavam quase nuas, mas percebi o porque desta opção da autora, é que o livro é escrito sob a forma de pequenas mensagens em post-its (ou semelhantes) deixados na porta do frigorífico.
É impressionante como a autora consegue transmitir tanto em apenas algumas palavras. Confesso que chorei  (bastante) com este livro, que toca bem no fundo de qualquer mãe ou filha (como é o meu caso).

Embora nunca nos sejam descritas as personagens ou o seu ambiente, é como se pudéssemos vê-las a andar pela casa, a tentarem manter-se em contacto apesar de mal se verem, a pedirem desculpas por papel, não tendo a coragem de o fazer cara-a-cara. Acho que este tipo de situações é muito realista (e até um nível, assustadora) na medida em que, hoje em dia, os pais parecem ter cada vez menos tempo para os filhos, e vice-versa, já para não mencionar que muita gente acha mais fácil a comunicação impessoal, como os sms, os emails, etc.
Esta extraordinária história de uma mãe e de uma filha, do seu relacionamento e de algo que mudará a vida de ambas para sempre, é ternurenta, viva e estranhamente realista (o final que chega sem aviso, mas ainda assim mostra como é a vida).
Chegada ao fim, tive vontade de abraçar a minha mãe (coisa que fiz).

Este livro, li-o em pouco mais de uma hora e meia, mas garanto que marcou, pela sua simplicidade e porque a autora teve a mestria para contar algo assim da forma que fez.

Recomendadíssimo!

Tradução (Rita Graña): 
Houve apenas um ou outro momento em que reparei algumas construções frásicas estranhas, mas não foi nada que incomodasse demasiado. De resto não tenho nada a apontar.

Capa & Design: 
A capa, a meu ver, está muito gira. Cheia de cor, e mostra bem sobre o que é o livro. Só não acho muita graça a colocarem as opiniões na capa. Como já alguém disse (não me lembro quem): Afinal para que é a contra-capa, se não para isso e para o resumo? Mas bem, esta já é uma questão de marketing.

O design interior, esse sim me deixou desapontada. Achei que este livro foi um autêntico desperdício de papel. Para um livro em que a maioria das páginas tem entre uma a vinte linhas, é assustador pensar em todo o papel que fica desperdiçado. Fez-me imensa impressão. Acho que tinham ganho mais em fazer uma edição com o livro mais pequeno, porque afinal não é necessário um tamanho daqueles.

De resto, o design interior é simples, sem nada de excepcional.

P.S.: A partir de agora vou tentar dar sempre uma opinião sobre a tradução (no caso de a haver) e/ou edição, e também da capa e design.