«Sofia fingia que sorria
Na fotografia, mas os seus olhinhos azuis
Choravam para dentro um lamento sem fim
(...)
Tinha um gato chamado Félix
Com quem gostava de conversar
E um velho telefone analógico
Que teimava em não tocar
(...)
Vivia na periferia
Com a sua fobia
De grandes multidões
Sem sair de casa
Vivia a fugir
(...)
Um dia, de sua autoria,
E com fotografia
Vinha um texto no jornal
Que ela demorou anos a preparar
Quem diria que viria, um dia,
Na necrologia, Sofia por ela própria
O texto que ela sempre sonhou publicar
(...)
Ó Sofia, só sentes euforia
Nos versos de amor repetidos em inglês
Ó Sofia, só vês a luz do dia
No reflexo estabatido dos filmes da TV»