![]() |
| Fotografia da minha autoria |
«Um instante de vida capturado para a eternidade»
A minha primeira máquina fotográfica analógica, salvo erro, era amarela e preta. Sem qualquer conhecimento de técnicas, apaixonei-me por esta combinação entre aquilo que observo e o que fica capturado num ecrã.
Habituei-me, portanto, a levar a câmara para todo o lado, aproveitando para registar momentos, paisagens, monumentos, detalhes que me inspiram de alguma forma. E habituei-me a isso por três motivos: 1) acho terapêutico, 2) é um exercício criativo, uma vez que me leva a tentar encontrar a melhor maneira de fixar aquele quadro, de modo a não ser só um formato estático, e 3) é um belo portal para revisitar memórias.
Sempre me socorri da fotografia nestes parâmetros, neste misto de funcionalidades cujo maior propósito é a recordação. Assim, nunca senti que olhar instantes através de uma objetiva me impedisse de os viver.
SERÁ QUE FOTOGRAFAR OU FILMAR NOS IMPEDE DE VIVER O MOMENTO?
Escutei-a atentamente e dei por mim a abanar a cabeça em concordância com as reflexões da Carolina, atendendo a que também acredito que é uma questão de equilíbrio e de foco; a que também acredito que depende do quanto estamos presentes naquela situação. Quando pego na máquina - ou no telemóvel - não me limito a carregar no botão, absorvo a energia do ambiente, tiro um tempo para visualizar, para ouvir, para decifrar os detalhes. Eu sei que há sons e aromas que nunca serei capaz de eternizar, porém, tenho a certeza que, quando regressar àquela fotografia, hei-de relembrar-me de uma série de pormenores que vivenciei. E só o consigo porque a minha intenção estava alinhada com aqueles que, para mim, são os valores certos.
Há alturas em que precisamos de fotografar só pelo prazer de o fazer ou porque temos de produzir conteúdo e isso é bastante válido, só precisamos de compreender que são finalidades distintas. Quando crio cenários para as publicações do blogue, não me entrego da mesma forma. E, ainda assim, faço por transformar esse ambiente em algo com significado. Porque fotografar é um dialeto alternativo para contar as minhas histórias.
Por outro lado, há inúmeros momentos dos quais não tenho fotografias - tirei uma mental, como mencionou a Carolina - ou porque não se proporcionou ou porque senti que não seria capaz de fazer justiça ao que estava a observar. No entanto, nunca concordei muito com aquela máxima de que as melhores coisas não são registadas. Entendo, mas, uma vez mais, creio que tudo depende da nossa presença, da nossa predisposição.
Resumindo, para mim, fotografar é a certeza de querer aquele instante na minha vida para sempre. É o meu passaporte para redescobrir tantas versões da minha essência. E é uma extensão do quanto aproveitei. Porque não capto para mostrar ao mundo (embora também o possa fazer), capto para imortalizar. E porque, algures no tempo, uma menina de cabelo encaracolado descobriu a magia de ver infinitos horizontes através de uma lente, sem que isso a condicionasse, sem que isso lhe retirasse o encanto de os viver em pleno.
