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Por Elizangela Santos

Hoje, é possível identificar a internet como um elemento importante tanto para a produção, circulação e divulgação das produções artísticas, quanto para a profissionalização do escritor.  Ao intensificar a interação entre escritores, o ambiente virtual potencializa a comunicação e as trocas de informações entre os artistas; estabelece-se, assim, uma rede de relações que parece promover alterações nas engrenagens do campo literário.

Para além das mudanças nas formas de produção e na divulgação artística, a presença maciça de escritores que participam ativamente das redes sociais e de editores que arregimentam videobloggers para promover seus lançamentos fortalece o que o crítico Ítalo Moriconi, em um ensaio que se propõe a analisar a literatura a partir da existência de circuitos diversos, denomina “circuito da vida literária”  É possível afirmar que esse circuito, hoje, encontra no suporte da rede o local ideal de ressurgimento dos espaços de comunicação entre os autores, cuja referência de valor centra-se exatamente no diálogo entre os pares.

Pode não ser novidade afirmar que essa rede de relações do ambiente virtual aproxima também o circuito crítico e o circuito midiático, além de promover as iniciativas políticas e culturais do que seria o circuito alternativo (movimento da escrita e publicação fora do mercado). Mas tal aproximação pode sinalizar um (outro) modo de organização estética, que recriaria outras esferas de legitimidade crítica.

Dito de outro modo: não parece improvável que a internet esteja concentrando as diferentes esferas do campo literário (autores, leitores, críticos, editores) em um mesmo espaço. Na condição de “grande salão virtual”, a internet movimenta a vida literária e altera as condições de formação do campo na contemporaneidade.