07

Out21

Maria do Rosário Pedreira

Li um artigo extremamente interessante sobre um professor universitário de Filosofia em Portland que bateu com a porta, dizendo que, infelizmente, a universidade onde ensinava há tantos anos sacrificou as ideias à ideologia. Alegando que, quanto mais tentou combater o iliberalismo mais retaliações teve (suspensão, inclusive), Peter Boghossian escreveu à reitora uma carta de demissão, dizendo que a sua especialidade foi sempre o pensamento crítico, a ética e o método socrático, mas que deixou de os poder pôr em prática na instituição onde os alunos já têm medo de falar e da censura dos colegas. Parece que, além de ensinar os filósofos clássicos, Boghossian convidou para as suas aulas todo o tipo de palestrantes, no sentido de estimular o pensamento crítico e o debate, desde advogados de Wall Street a gurus religiosos ou cépticos das alterações climáticas; mas, como se tratava de personalidades polémicas, os alunos queixaram-se e, em vez de explicar as funcionalidades da coisa, a direcção mandou o senhor uns tempos para casa. O professor considerou então que a faculdade se demitiu do seu papel de ouvir pessoas com opiniões e crenças diferentes e falar abertamente de tudo, formando os alunos para pensarem todos da mesma maneira e não fazerem ondas. Pior: a instituição considerou alguns filósofos machistas e proibiu que fossem ensinados... Afinal, quem pregava inclusão e diversidade não as praticava. Boghossian bateu com a porta e fez bem. Mas é uma pinguinha no oceano, pois na verdade muitas universidades em todo o mundo se tornaram guetos de ideologia sem ideias, um perigo que manda os génios e os válidos para as masmorras como no tempo de Galileu e deixa os imbecis a liderar... Se quiserem ler a carta, aqui a têm:

https://bariweiss.substack.com/p/my-university-sacrificed-ideas-for?utm_campaign=post&utm_medium=web&utm_source=facebook&fbclid=IwAR2rEySMWz43sx73rWiiUfoxWC4A4CtbWuV7ygBErG7j48sPV6c0Kdh-GW4