Diário de Florbela Espanca

Adquiri este livro por ser muito barato e ter alguma curiosidade.


Li, há alguns anos, os sonetos de Florbela Espanca e achei decentes, apesar de repetitivos e dramáticos. De facto, Florbela Espanca é conhecida pela poesia recheada de melodrama que encanta adolescentes várias.

Não sou a maior fã de poesia, facto que aceito, cada vez mais, com grande normalidade. Mas escolhi este volume em jeito de celebração do Dia Mundial da Poesia.

Este diário de Florbela Espanca, também conhecido como "Diário do último ano", é curto, muito, cobrindo apenas o último ano da sua vida. Há uma poetisa cujos diários consistem num dos meus livros preferidos de sempre, mas não é o caso do diário de Florbela.

É sempre estranho ler diários reais, de terceiros, e apreciá-los, creio. Algo que foi escrito para o íntimo, a ser dissecado por méritos literários? Mas divago.

Lê-se bem, lê-se rápido. É uma escrita confessional. Parece histriónica, narcisista, exagerada. Não é memorável ou interessante. De minha parte, resta-me ler os contos - talvez me apelem mais.

Não tenho nenhum intuito especial ao escrever estas linhas, não viso nenhum objectivo, não tenho em vista nenhum fim. Quando morrer, é possível que alguém, ao ler estes descosidos monólogos, leia o que sente sem o saber dizer, que essa coisa tão rara neste mundo - uma alma - se debruce com um pouco de piedade, um pouco de compreensão, com silêncio, sobre o que eu fui ou o que julguei ser. E realize o que eu não pude: conhecer-me.

2/5

Podem comprar esta edição aqui.