Há umas semanas fui a casa da minha afilhada e ela emprestou-me este romance de Tiago Rebelo. O escritor não me é desconhecido, embora sendo muito sincera não era dos meus preferidos.

Terminei hoje de ler e, neste caso em específico, adorei toda a história. É um livro muito interessante que aborda de forma direta e sincera uma das mais importantes épocas da história recente do nosso país. Tão recente, que algumas das personagens podiam ser os nossos pais.

Estamos nos últimos meses da guerra colonial. A revolução de 25 de Abril ficou na memória de todos os que a viveram, mas pouco se fala dos trezentos mil portugueses que foram obrigados a largar tudo e a fugir através de uma ponte aérea e marítima que ligou Angola a Portugal.

Ao mesmo tempo, Luanda, é abalada por uma guerra civil que alastra ao resto do território angolano. Três movimentos de libertação combatem entre si pelo poder que fica em mãos de ninguém quando as forças armadas portuguesas se vão embora: "Na tarde de nove de julho, os movimentos de libertação rasgaram de vez todos os acordos civilizados que haviam assinado de má-fé e destruíram definitivamente a esperança de se chegar em paz ao dia da independência."

Regina conhece Nuno em Portugal, os dois apaixonam-se mas Nuno tem negócios obscuras. Regina preocupa-se mas não deixa de apoiar Nuno, de quem acaba por ter um filho. Em Angola, ela vive sozinha com o filho enquanto Nuno vai em viagens de vários dias por onde ela nem imagina. Quando a guerra rebenta, ele está lá no meio, mas ela, em Luanda é atingida pela dúvida de fugir para salvar a família ou de ficar e lutar pela terra que também sente já como sua.

O que mais me impressionou neste livro, foi a descrição de uma manifestação que ocorre bem perto da casa de Regina. Ela está no seu mini e vê-se envolvida no meio de uma violência desenfreada, o "martelar das G-3, os estampidos das pistolas, os gritos de terror".