Este livro conta-nos a história dos portugueses desde que chegaram ao Brasil e a corrida desenfreada ao ouro que sustentou a forma de vida dos monarcas portugueses. Em Fevereiro de 1876, o monarca D. Luís I estava a verificar quais das jóias da Coroa podia vender para tapar "ou pelo menos diminuir o rombo nos cofres reais." Há já 53 anos que o Brasil não era uma colónia portuguesa. Dali a alguns anos, a Monarquia iria cair por terra e dar lugar à República.

"Na vistoria, Sua Majestade notou um caixote e resolveu ver o que tinha dentro. (...)uma enorme pepita de ouro, do tamanho de um melão."

De facto, a corrida ao ouro iniciara-se em abril de 1500 quando Cabral se encontrou com nativos e começou a sondar a existência de ouro naquele território. Daí em diante, a busca pelo minério trouxe riqueza, mas também duros combates e a morte. Ao longo do livro é descrita a sucessão de monarcas e a forma como vão lidando com a riqueza e com o poder. Por exemplo, D. Filipe II de Espanha, (Filipe I de Portugal) caraterizado como "tirano", tendo levado pela primeira vez a Inquisição para o Brasil.

"O ouro que moldou o Brasil e encantou a europa foi o mesmo que provocou um desastre na África." O livro está repleto de descrições relacionadas com a escravatura, falando das condições em que eram capturados, vendidos e transportados os escravos, referindo-se aos tombeiros. "A mineração na América Portuguesa consumiu 10% de todos os escravos africanos exportados para o mundo no século XVIII," o que segundo o autor, "alimentou um dos moviementos migratórios mais agudos do planeta." Fala também do sismo e do maremoto que atingiu o nosso país em 1755, descrevendo a sucessão de eventos: "o primeiro sinal foi um ronco alto e prolongado que saiu de dentro da terra (...) o mal materializou-se (...) atirou a cidade para cima e e em seguida para baixo." Em relação ao maremoto, refere Lucas Figueiredo, "mais uma vez, o Atlântico atravessava o destino de Portugal." 

Com a idade de 42 anos, D. Maria I, é a primeira mulher a sentar-se no trono português, em 1777. Sem experiência, ela encontra um país desfeito ainda, afetado pelas sucessivas governações anteriores. 

Achei que este livro descreve de forma bastante clara diversos episódios, revelando uma pesquisa bastante cuidada e elaborada por Lucas Figueiredo. O autor, nascido em Belo Horizonte no Brasil, tem uma linguagem cuidada, mantendo-nos agarrados da primeira à última página. Para quem gosta de livros que relatem factos históricos, este, sem dúvida é um dos que não pode perder.