Fotografia da minha autoria «É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já» A Pão de Forma estava programada para um passeio pela zona de Vidago. Mais concretamente, pelo Vidago Palace. Contudo, por questões de segurança, o acesso a visitantes está interdito, o que se compreende. Admito, mesmo assim, que fiquei um pouco desanimada, mas passou rápido, pois há sempre algo de fascinante em certos imprevistos: a possibilidade de reajustar a rota e descobrir lugares encantadores. O Parque Termal de Pedras Salgadas é considerado um dos mais belos do interior, sendo muito simples perceber o que motiva essa afirmação. Com origem na segunda metade do século XIX, destaca-se por ser dotado de uma fauna e flora surpreendentes, transformando o contacto com a Natureza numa experiência inesquecível e revitalizante. Além disso, a sua planta extensa, que contempla um grande lago, piscinas e percursos pedestres, convida-nos para um passeio relaxante, podendo ser feito a solo ou com companhia; a pé ou com recurso às nossas bicicletas. Tal como se associa pela sua denominação, é deste local que provém a famosa Água das Pedras. Perante algumas restrições, devido à atual pandemia, tenho conhecimento de que é possível provar a água «tal como brota das suas fontes». E, por falar em fontes, existem seis exemplares espalhados ao longo do parque: a D. Fernando, a D. Maria Pia [que tem a particularidade de se situar dentro de uma gruta], a do Penedo, a Grande Alcalina [estas duas localizadas no mesmo edifício], a de Pedras Salgadas e a Preciosa. Dentro deste grupo, há cinco nascentes de água mineral natural - do qual se exclui a Fonte D. Maria Pia -, que contêm «propriedades terapêuticas». A título de curiosidade, porque não deixa de ser uma experiência singular, a Fonte de Pedras Salgadas está aberta ao público, durante o verão, «para que todos os visitantes possam usufruir das suas águas» [mediante um horário fixo e exposto]. Já as Fontes Penedo e Grande Alcalina apenas são utilizadas para tratamentos de Hidropinia - «ingestão de água, com ação diurética e desintoxicante, que, em função da idade e do estado cardiovascular e digestivo, varia conforme prescrição médica». O património valioso deste local estende-se a outros pontos de interesse, como é o caso do Balneário Termal, do antigo - e lindíssimo - Casino [que, agora, recebe os mais variados eventos], o Spa [edifício recuperado por Álvaro Siza Vieira] e, ainda, a Casa de Chá. Cada uma destas paragens desfruta de uma imponente e ampla Alameda, que deve contar com inúmeras e distintas histórias. Percorrendo o parque, temos, ainda, acesso à Vila Adriana - ou ao que resta dela - e podemos observar o, agora em decomposição, Solar, a Capela, as Garagens, o Campo de Ténis, o Jardim do Roseiral e o Monte Avelames. A consciência ecológica, sem qualquer hesitação, é um dos pontos altos. Por isso, para potenciar mais as qualidades deste belo lugar, encontramos - pelos seus hectares - Casas da Árvore e Eco-Houses [bungalows auto-suficientes com uma decoração moderna], que são uma «proposta de estadia» original. Acolhedora. E a transmitir imensa paz. O Parque Termal de Pedras Salgadas foi uma surpresa maravilhosa e memorável, porque alia o melhor de dois mundos, proporcionando-nos um ambiente sereno, quase como se abraçássemos um retiro pessoal ou familiar, no qual a humanidade e a natureza caminham de mãos dadas.