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Já aqui falei sobre alguns livros da Fundação Francisco Manuel dos Santos, como o «Vale a pena? Conversas com escritores», o «Adopção tardia» e o «Um dedo borrado de tinta: histórias de quem não pôde aprender a ler».

Hoje, venho falar-vos sobre o «Mulheres refugiadas em Portugal» que conta as histórias de três mulheres refugiadas a viver no país: Sandra, que fugiu de uma situação grave de violência doméstica no Zimbabué, Olena que vivia em Mariupol e fugiu da guerra da Ucrânia e Maryam que era jornalista em Cabul e fugiu aquando da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão.

Acabaram em Portugal por acaso. Nenhuma delas quis deixar a sua cidade, muito menos o seu país. Simplesmente não havia outra opção. A palavra «escolha» não combina com o estatuto de refugiado.

As conversas com estas mulheres e as suas histórias, de fuga, de integração ou de falta dela, são intercaladas com dados concretos sobre os longos tempo de espera que os refugiados enfrentam em burocracias, as dificuldades em aprender a língua, em arranjar alojamento, em arranjar um emprego (ainda mais se for na sua área de formação), em arranjar creche para os filhos para poderem trabalhar, em serem entendidas quando vão aos serviços de saúde.

Latifa, tal como Sandra, Olena, Maryam e tantas outras mulheres refugiadas, trazem consigo o seu passado, o dos seus pais e avós, trazem a história do seu país, da mais recente à mais remota. A sua experiência insere-se necessariamente numa narrativa maior, sempre marcada por algum tipo de violência da qual as mulheres são muitas vezes as primeiras vítimas. Contudo, não é isso que as define. Estão longe de serem o fantasma da pessoa que deixaram para trás. Estão no presente, agarradas à sua vida e a tudo o que podem construir com ela.

Recomento muito.