10/08/2010 · 1:16 PM
postado por Rafaé
A escuridão do quarto era incontestável, assim como a insônia que o tomava de sonos profundos com uma violenta dose de adrenalina dentro de si. A cada despertada, era como se a cama engolisse aquele corpo amortecido e latejante. Mas, ainda assim, a imensidão negra e silenciosa daquele ambiente o confortava a cada meia hora. Meia hora? Talvez não. O tempo, nessas situações, não costuma ser linear.
Suas divagações erravam entre delírios e desesperos. Mas o conforto ainda existia, levemente ameaçado pelo barulho dos carros passando na rua, cada vez mais constante. Isso o desesperava. Não que odiasse carros, mas o despertar da rua o lembrava de que a realidade logo raiaria em sua janela. Puxar o cobertor sobre a cabeça não adiantou.
O sol invadiu o quarto. O despertador tocou. O tempo voltou a ser linear. Sua cama já não era assim tão grande. Jamais poderia o engolir.
O arroz, agora, seria feito a uma só mão.
Tomara que o alho não queime.
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