uma só andorinha
poesia lírica contemporânea, reflexão sobre a solitude, ciclos da natureza, metáfora da migração
Fotografia da minha autoriauma andorinha só não faz a primaveracomo diria aristótelesfaz as estações inteirasacrescentaria eu sem pingo de modéstianesta promessa do que vai e do que ficano planar lento e ordenadode uma coreografia sincronizadapela sobrevivênciavejo-as partir e a demorara regressarficar um quarto despidode vida, de calorcoberto apenas de mobília velhase eu sóbebendo da minha solitudeafastando-me da solidãoqueria ser apenas andorinhaou a promessa de liberdade
Texto originalmente publicado em Entre Margens