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«Uma demonstração fantástica de criatividade»
Avisos de Conteúdo: Suicídio, Morte, Sexo, Linguagem Explícita
O ser humano procura sempre ultrapassar os seus limites, superando-se no engenho ou na arte mais pura do desenrasque. Como portuguesa minimamente consciente do seu fado, mas correndo o risco de cair no estereótipo, parece que temos um dom no que ao último aspeto diz respeito. Num mundo onde a necessidade de se reinventar e desembaraçar é uma constante, o romance de Valter Hugo Mãe é prova dessas fragilidades.
UMA NARRATIVA COMICÓ-TRÁGICA
O Apocalipse dos Trabalhadores narra a história de duas empregadas de limpeza, carpideiras profissionais nas horas de maior aperto - e afeição por desconhecidos. Tendo em conta o desencanto das suas vidas e a tragédia que paira perto de ambas, talvez fosse inevitável a desmotivação e a parca vontade para procurar apontamentos aconchegantes. Porém, contrariando o expectável, fazem por descobrir caminhos de felicidade.
«fala comigo. diz-me coisas diferentes. fala-me de coisas
que me pareçam ontem. ontem é que estávamos bem»
A experiência de leitura foi menos cómica do que esperei, isto porque, de acordo com a crítica, é a obra mais divertida do autor. Sim, achei graça a algumas intervenções das protagonistas e à própria ligação entre ambas, mas, de um modo geral, senti a história melancólica, dura, com um profundo pesar por tudo aquilo que podia ter sido e não foi. Retratando o lado precário de certas profissões e trabalhadores, Valter Hugo Mãe leva-nos por rotas imprevisíveis e mais emotivas do que racionais, com o intuito de encontrar um propósito afortunado.
«por amor, estavam todos dispostos a tudo»
Fico sempre encantada com a escrita do autor, tão própria e tão poética, e com as premissas que tece em cada narrativa. No entanto, estava à espera de outra abordagem e, por consequência, de ser arrebatada por estas vidas suspensas. Ainda assim, é inegável a sua pertinência, até por explorar temas como as diferenças de classes e de género, as saudades e a fé; e por conceder espaço a personagens peculiares, genuínas. A prudência e o bom senso não são o mote que as rege, contudo, são todas feitas de generosidade. E de amor.
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