Sugestões de leitura by yours truly, Bárbara Ferreira.

Esta é uma questão que me colocam às vezes: por "onde" começar a ler em inglês? Quando a minha adorada colega do lado do meu antigo trabalho me disse que estava a pensar comprar o 50 Shades of Grey para este propósito, senti que estava na altura de fazer uma intervenção.

Não sou apologista de se recorrer ao trashy para uma leitura fácil. Por outro lado, não sou apologista de fazerem como eu que, aos 16 anos, comprei Charles Dickens em inglês. Ficam aqui portanto algumas sugestões alternativas de leitura que não é necessariamente aterradora, não obstante a língua.

Primeiro truque: ler um livro com cuja história estejam familiarizados - pontos extra se for um livro infantil ou juvenil. Ou seja, é a altura ideal de colocarem as 73 vezes que leram o Harry Potter à prova! Um dos meus primeiros livros em francês, a título de exemplo, foi Les Malheurs de Sophie, da Comtesse de Ségur, livro que tinha lido mais de dez vezes em criança. Foi fácil, através da memória, depreender o significado de muitas das palavras. Ciseaux, souliers, etc.

O truque seguinte é ler literatura infantil (mas não os clássicos infantis, que costumam ser pesados) ou ficção contemporânea. Ou seja, não sigam o meu exemplo e não comecem por Charles Dickens, que não ganham nada com isso. Os livros seguintes são todos livros que já li e que considero acessíveis - uns mais que outros, é claro, tanto pela linguagem como pelo seu tamanho. Quase todos têm também versão em filme, que poderá ajudar na leitura.

Matilda, de Roald Dahl. Livro ideal para quem, além de gostar de ler, gosta de livros (lembram-se do filme? Adoro o filme!). É um livro infantil, e por isso de linguagem super simples e acessível. Li-o há alguns anos e é incrível - a história de uma menina muito diferente da sua família, que acaba por encontrar o seu lugar numa escola onde as coisas também não são como deviam ser. Podem comprar aqui.

A Little Princess, de Frances Hodgson Burnett. Li este livro apenas no verão passado, e gostei muito mais (e achei de linguagem muito mais acessível) que do outro que li da autora, The Secret Garden. É previsível, é talvez um bocadinho moralista de mais, tem aquele toque colonial que, convenhamos, é característico da época, e é infantil - mas lê-se bem e é giríssimo. Podem comprar aqui.

The Hundred and One Dalmatians, de Dodie Smith. Com isto não me refiro a nenhuma edição com o rótulo da Disney, mas o original, com mais de 200 páginas. Adorei este livro, não adorei totalmente a sequela, que não é os 102 dálmatas da Disney (mas também a recomendo!). É adorável, e, novamente, infantil, logo de linguagem fácil e acessível. Podem comprar aqui.

High Fidelity, de Nick Hornby. Possivelmente o meu favorito do autor. O filme também é muito bom - listas, música, cultura pop. Literatura contemporânea costuma ser uma boa opção para quem quer aprender ou melhorar uma língua, dado ser mais acessível que os clássicos. Podem comprar aqui.

Fight Club, de Chuck Palahniuk. Muito diferente do filme - nomeadamente no final -, mas Palahniuk foi o meu autor favorito dos meus 16 anos e não podia deixar de o recomendar. Não é o meu livro favorito dele, mas, por ter o filme, é possivelmente uma recomendação melhor (assim saberão se é algo que vos interessará ler, ou podem acompanhar a leitura com o filme). Podem comprar aqui.

Hey, Nostradamus!, de Douglas Coupland. Este é um bocadinho batota, porque o li em português! No entanto, li outros do autor em inglês, e não acredito que este em particular vá ser mais complicado de ler. É o meu favorito do autor (li também Girlfriend in a Coma que, a início, adorei, e depois descambou terrivelmente; e Eleanor Rigby, que, bem - idem). Inspirado em Columbine. Podem comprar aqui.

The Hunger Games, de Suzanne Collins. Dispensa apresentações, certo? Para um público juvenil, logo, de leitura simples. Podem comprar a trilogia aqui.

The House on Mango Street, de Sandra Cisneros. Li este ano e adorei - um conjunto poderoso, apesar de muito curto, de pequenas histórias (vinhetas?) sobre ser mulher, mexicana e pobre, em meados do século XX, nos EUA. Podem comprar aqui.

Rosemary's Baby, de Ira Levin. Enoooorme favorito (e único filme do Polanski que me digno a ver, já agora); simples, directo, misterioso. O suspense é brilhante, tudo é brilhante. Casal compra casa, mulher engravida do diabo. Podem comprar aqui.

The Reader, Bernard Schlink. Este é batota também, mas de uma maneira diferente - o original não é em inglês. Mas a tradução inglesa está extremamente bem conseguida (digo eu) e lê-se fluidamente. Nunca vi o filme, mas vou assumir que a ideia é igual. Podem comprar aqui.

Room, de Emma Donoghue. Leitura contemporânea, livro bastante popular, até - pode haver aí quem o tenha lido em português e tudo. Rapariga consegue fugir ao cativeiro de anos, após ter sido raptada por um louco, e tem de ensinar ao filho que há um mundo para além do quarto. Podem comprar aqui.

The Time-Traveler's Wife, de Audrey Niffenegger. Livro grande mas que se lê num instante, extremamente fluído. Homem tem capacidade de viajar no tempo, eventualmente conhece uma rapariga que, no futuro, iria visitar para a conhecer em criança; no presente, era já o amor da vida dela. Complicado de explicar, leiam! Podem comprar aqui.

The Perks of Being a Wallflower, de Stephen Chbosky. Nunca vi o filme disto, mas li o livro há quase dez anos e é simples e bonito. Novamente, leitura juvenil, logo, de linguagem acessível. A adolescência, o amor, a vida. Podem comprar aqui.

Extremely Loud & Incredibly Close, de Jonathan Safran Foer. Mais um autor contemporâneo. Sei que há filme deste livro, mas nunca vi. A forma de narração é bastante diferente do habitual, mas não é por isso que o livro se torna complicado. Rapaz perde o pai no 9/11 e aprende a lidar com isso. Podem comprar aqui.

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Um clássico, é certo - mas um clássico bem fácil de ler e acompanhar! Para os fãs das distopias e sci-fi, um mundo alternativo/futuro no qual ler é proibido. Guy Montag é "bombeiro" e eventualmente decide fugir ao marasmo da sua vida. Podem comprar aqui.

The Outsiders, de SE Hinton. Stay gold, Ponyboy! Clássico juvenil que vale imenso a pena, sobre rivalidades de grupos, pobreza, marginalismo, diferenças de classe, privilégio nos EUA dos anos '60. Podem comprar aqui.