BLANCHOT E SEUS INTERCESSORES

CICLO DE CONVERSAÇÕES | PERFORMANCES | PROJEÇÕES

Galeria Theodoro Braga

15 DE FEVEREIRO
18h00 às 20h30
Exibição do Filme: Blanchot vida e obra

De CRISTOPHE BIDENT e HUGO SANTIAGO


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Blanchot e Levinas: o infinito como lugar do estranhamento

ALBERTO AMARAL 
(Pesquisador do Núcleo Interdisplinar Kairós | UFPA)


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Derivações do Desastre

NILSON OLIVEIRA 
(Editor da Revista Polichinello)

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20 DE FEVEREIRO
18h00 às 20h30
Ecos de Blanchot e Max

NEY FERRAZ PAIVA

(Poeta e ensaísta, autor de: Maura Lopes Cansada de Deus)


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A Encenação da Morte e a Poesia Moderna

IZABELA LEAL
(Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras | UFPA)


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27 DE FEVEREIRO
18h00 às 20h30
LEITURA DRAMÁTICA DO TEXTO:

A Doença da Morte” 
MARGUERITE DURAS


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O Espaço Literário na Poética de Rio Silêncio

DENIS BEZERRA
(Professor da Universidade do Estado do Pará | UEPA)


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LANÇAMENTO DA "PLAQUETE-BLANCHOT"

Com textos de: Jean-Luc Nancy – Jacques Lacan

Philippe Lacoue-Labarthe - Christophe Bident

Tradução: Eclair Antonio Almeida Filho

L O C A L

Galeria Theodoro Braga

 Av. Gentil Bittencourt, 650, Térreo Belém 

Informações: 32410655 - 83912022

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A SOLIDÃO ESSENCIAL

A SOLIDÃO NO MUNDO

Quando estou só, não sou eu que estou aí e não é de ti que fico longe, nem dos outros, nem do mundo. Não sou o indiví­duo a quem aconteceria essa impressão de solidão, esse senti­mento dos meus limites, esse tédio de ser eu mesmo.


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Quando estou só, não estou aí. Isso não significa um estado psicológico, indicando o desaparecimento, a supressão desse direito de sentir o que sinto a partir de mim mesmo.


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Não é que eu seja um pouco menos eu mesmo, é o que existe "atrás do eu", o que o eu dissimula para ser em si.

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Quando sou, ao nível do mundo, aí onde são também as coisas e os seres, o ser está profundamente dissimulado.

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Essa dissimulação pode tornar-se trabalho, negação. "Eu sou" (no mundo) tende a significar que somente sou se posso separar-me do ser: negamos o ser — ou, para esclarecê-lo ror um caso particular, negamos, transformamos a natureza — e, nessa negação que é o trabalho e que é o tempo, os seres realizam-se e os homens erguem-se na liberdade do "Eu sou".

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O que me faz eu é essa decisão de ser quando separado do ser, c ser sem ser, o ser isso que nada deve ao ser, que recebe seu poder da recusa de ser, o absolutamente "desnaturado", o ab­solutamente separado, isto é, o absolutamente absoluto.

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Esse poder pelo qual me afirmo renegando o ser é real, entretanto, na comunidade de todos, no movimento comum do trabalho e do trabalho do tempo.


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"Eu sou", como decisão de ser sem ser, só tem verdade porque essa decisão é minha a par­tir de todos, porque se concretiza no movimento que ela possi­bilita e torna real: essa realidade é sempre histórica, é o mundo que é sempre realização do mundo.

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Eu sou o que não é, aquele que cometeu secessão, o separado  ou ainda, como se disse, aquele em quem o ser é discutido.

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Os homens afirmam-se pelo poder de não ser: assim agem, falam, compreendem, sempre outros que não são eles e que es­capam ao ser por um desafio, um risco, uma luta que vai até à morte e que é história.


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Foi o que Hegel mostrou. "Com a morte começa a vida do espírito." Quando a morte se torna poder, co­meça o homem, e esse começo diz que, para que exista o mu­do, para que haja seres, é necessário que o ser falte.

Maurice Blanchot | O Espaço Literário