«São tantas ruas, becos e vielas

Caminhos, muitos deles, sem saída

Tantas casas, telhados e janelas

Abertas para o resto da nossa vida

Tantas horas, minutos e segundos

Tão lentos ou com pressa de fugir

Tantos sonhos distantes, tantos mundos

Tanta coisa para viver e sentir

Cheguei a este dia em que me entendo

E percebo que quase nada sei

Cá vou indo, pressentindo e vivendo

O dom de ser assim como sonhei

Não fui sempre como me sinto agora

E amanhã não serei como hoje sou

Mas antes que este dia vá embora

Vou juntá-lo ao tempo que já passou

A cada dia sinto a descoberta

De ser a soma do que já vivi

E de ver uma porta sempre aberta

Que se abriu no momento em que nasci»