Quero queimar meus versos na fogueira,

jogar-me junto, arder-me nessa chama,

pois meu destino é o mesmo da madeira

que enquanto morre o seu choro declama.


Como ela quando canta a derradeira

cantiga aquebrantada, e o fogo brama,

estala e treme o dorso e a cabeleira
do galho que se esfuma em lindo drama.


Quero queimar-me para ter na boca

a voz dos ventos, dos rios uivantes,

da noite lamentosa, fria e oca,

Para acalantar no berço ardendo,

como plangem os ramos soluçantes

pela fogueira, lúgubres, morrendo....