Juntando as palavras – O melhor remédio

O melhor remédio

Há cerca de um ano resolvi voltar a tricotar, coisa que fiz algumas vezes na infância. Não quero me tornar uma artesã da lã, mas pensei no tricot como um exercício de paciência, uma terapia para uma ariana impulsiva e ansiosa. Comecei, ou melhor, recomecei, com um cachecol, depois evoluí para um blusão para mim, que foi o maior desafio, pois queria ver pronto logo, errei algumas coisas, desmanchei algumas vezes, costurei, descosturei e após quatro meses estava pronto e eu curada.

Agora decidi tricotar um blusão pro maridão colorado, as cores da lã são vermelho e branco como não poderia deixar de ser. Já avisei que não fica pronto para este inverno, porque o objetivo não é o produto final e sim o processo produtivo.

Aprendi com algumas coisas da vida que o tempo é o melhor remédio, não adianta querer acelerar situações que não dependem de nós, porém nem sempre no meio do furacão conseguimos ter a clareza das coisas, entender que é preciso se concentrar na solução e não no problema, que devemos construir as oportunidades no dia a dia que do resto o tempo se encarrega.

Assim tricoto minha obra e faço minha terapia, entre novelos e agulhas, sucessivas laçadas e carreiras, então o tempo passa.

Enfim me auto mediquei, porque acredito que temos que buscar certas curas em nós mesmos. Se o tempo é o melhor remédio, hoje afirmo que o tricot é meu tratamento contínuo.

Letícia Portella

26 de maio de 2012