Este livro, escrito por Diane Setterfield, deixou-me completamente agarrada da primeira até à última página. O livro começa por falar de Margaret, que é uma jovem que (talvez, ou não) por ser filha de um alfarrabista, ama os livros. Ela é uma daquelas leitoras a que se pode chamar compulsiva, mas também gosta de escrever e acaba por se tornar biógrafa amadora. Sem dar grande importância a esta sua faceta, acaba por ser contatada por uma escritora famosa, Vida Winter. Fica bastante surpreendida por ela a ter escolhida para escrever a sua biografia e, ao pesquisar sobre o que já se tinha escrito sobre a sua vida, descobre que Vida Winter tem por hábito iludir e mentir sobre as suas origens. Mas nada a iria preparar para o que a esperava.
Vida sente que o seu fim está próximo. Está frágil e luta contra uma terrível doença que lhe traz dores atrozes! Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida, revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas mulheres vão partilhar vivências profundas, aproximando-se a afastando-se em determinados momentos da narrativa. Diane, escreve o livro de uma forma especial em que assume tanto assume a primeira pessoa dando voz a Margaret, como assume a voz de Vida Winter quando esta está a contar a sua própria história.
A própria narrativa se torna às vezes confusa quando Vida assume a sua "pessoa" ou quando ao invés relata na tercerira pessoa como se estivesse a assistir à passagem da própria vida. Confusos? Não fiquem, pois a história está realmente muito bem escrita e vamos descobrindo os segredos a par e passo com a ordem da narrativa. Durante o livro, as duas mulheres partilham parte do seu dia no local preferido de ambas, a biblioteca, onde vão resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos. Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor e de amizade, mas que não deixa de ser uma história triste e solitária.
Outra coisa interessante é que ambas falam noutros contos, especialmente em grandes romances, um dos quais "A Paixão de Jane Eyre". No outro dia, estava a limpar a minha pequena coleção de livros, quando agarro nesse mesmo livro. Uma edição de 1979, capa dura e vermelha, do Círculo de Leitores e que herdei da minha mãe. Será a minha próxima leitura. Não sei se a minha mãe o terá chegado a ler, mas quero acreditar que sim.Tenho muitos livros que foram dela e, pela forma como este está manuesado acredito que ela o tenha chegado a ler.