Fotografia da minha autoria«Por ásperos caminhos até aos astros»Avisos de Conteúdo: Referência a Morte a LutoO propósito do Alma Lusitana, independentemente da sua estrutura anual, é acolher histórias e autores portugueses: desde os mais conhecidos aos que estão a iniciar a sua jornada no meio literário. Portanto, reservei-me o direito de, nesta edição, acrescentar escritores extra, sempre que me fizesse sentido, e foi assim que a Ana Rita Areias entrou nesta lista - e aproveito para agradecer a cedência do seu manuscrito de estreia.A PERDA E A VIDA QUE CONTINUAAd Astra Per Aspera é um livro de poesia sobre a morte do pai, a ausência, o luto e as saudades que se colam à nossa pele. E tal como a melodia de um verso, que vai quebrando em cada mudança de linha, a mensagem evidencia os fragmentos que se tentam unir, porque a vida continua, embora nunca da mesma maneira.«Entre sentir tudo a não sentir nadanum furacão de um segundoprefiro a emoção à fugade ser humano a ser imundo»Em simultâneo, esta obra é um retrato dos primeiros amores, das relações de amizade e daquilo que vamos procurando para nos reerguermos, para que haja um sentido. É na simbiose destes mundos que a autora oscila, mergulhando na tristeza, nos sonhos, nas sombras, na luz de um amanhã a tremeluzir de esperança.«porque não é possível esconder a loucurade quem sente»Foram os poemas com um tom melancólico, centrados na perda, que mais me conquistaram, porque sinto que conseguiram transmitir maior emoção. Não que os restantes não tenham interesse, mas revejo-me mais nesse traço nostálgico, atendendo a que espelharam a catarse que estava à espera de encontrar nos seus versos.«admiro as palavras que escolhem transparecer»Houve detalhes em que senti que o livro beneficiaria de uma revisão externa, tornando a cadência mais polida, ainda assim, acredito que tem potencial e que é um bonito ponto de partida para um caminho promissor. «Abraçar a saudadena ausência que fica»Ad Astra Per Aspera tem uma capa lindíssima e lê-se num sopro. Apesar disso, impulsiona uma reflexão relevante: a importância de falarmos/escrevermos sobre o processo de luto, sobre as cicatrizes e o abismo que se cria no nosso peito. Nunca será fácil, mas talvez amenize a angustia, porque não estaremos sozinhos.