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Por Maria Andréa Souza de Andrade Nascimento

Dentre os sete pecados capitais, segundo o psicólogo Antônio Carlos, “a inveja é o que mais atormenta nossa existência”. No discorrer do texto traçarei dois paralelos sobre os possíveis males que a inveja traz para nós, tanto na visão espiritual quanto na visão psicológica.Quando Deus fez os animais e todas as coisas viu que tudo era bom, só que Ele percebeu que faltava alguma coisa na natureza: alguém que cuidasse dela e de todas as coisas que a compõe, então fez o homem. Depois, percebendo que o homem estava sozinho, fez sua companheira, a mulher. Depois de tudo feito, Ele, com sua sabedoria, deu ao homem o livre arbítrio. O demônio, com inveja do criador do universo, não conformado com tamanha inteligencia e sabedoria de Deus, não se conteve ao saber que o homem, criatura tão pequena, havia recebido tanta graça, tantos dons do Criador..

São Tomaz de Aquino descreve em uns de seus livros que o pecado da inveja “é a figura orgulhosa de Satanás”. Se pegarmos mais adiante, ainda no livro do Gênesis, encontraremos também outro exemplo do pecado da inveja: o caso dos dois irmãos, Caim e Abel, filhos de Adão e Eva.Como cada um deles tinha uma contribuição nas tarefas do  dia-a-dia,Caim cuidava da plantação e Abel, por sua vez, cuidava dos cordeirinhos.Como era muito comum na quela época fazer oferendas a Deus,então Caim ofereceu os frutos do solo e Abel os primeiros couros dos carneirinhos e sua gordura. Deus se agradou da oferenda de Abel. Caim, insatisfeito, ficou furioso e decidiu matar seu irmão, para que só restasse ele, para que ele se tornasse o centro das atenções. Deus advertiu Caim da seguinte forma:

“A ti vai seu seu desejo, mas tu deves dominá-lo.”

Como sabemos, Caim não controlou seu desejo e acabou matando seu própio irmão. Esse foi o primeiro assassinato da história, e aconteceu por causa da inveja.

Um outro fato marcante na Biblia é quando  Jesus foi crucificado: soltaram Barrabás, que era um criminoso, e crucificaram a Jesus, um homem bom, que só queria o bem para as pessoas.Alguns, por inveja do seu jeito cativador, tramaram a sua morte. Pilatos sabia disso, porque no julgamento de Jesus os acusadores não tinham argumentos nenhum para condená-lo, mas, para não desapontar o povo, Pilatos lavou as mãos e o entregou à morte. Somente para finalizar essa primeira parte enfatizarei mais uma passagem bíblica: a história de Davi e Saul.Como Davi era talentoso e valente, Deus concedia-lhe grandes bençãos. Saul, por sua vez, era Rei e não se conformava com a tal situação. A inveja de Saul o levou a perseguir Davi, buscando a sua morte. Quantas vezes nós não estamos satisfeitos com a posição do outro na sociedade e torcemos para que o outro não se dê bem. O Professor Felipe Aquino, grande estudioso da palavra de Deus, e que costuma escrever artigos na Canção Nova diz que “a inveja é um vírus da mente, um terrível mal da alma”.

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Partindo para uma visão psicológica, alguns psicólogos, como Percival Puggina, Antônio Carlos Alves de Araújo Visite e Alfredo Adler, fizeram estudos sobre a inveja e descreveram que ela mata, devasta o ser humano, destrói a pessoa, e corrói o mais intimo  dos seus pensamentos.

Umas das características do invejoso é que ele é sutil e discreto.A inveja passa por um processo de evolução.  Nos casos mais extremos o invejoso vive tramando a infelicidade da pessoa invejada,tornando-se um ser frustado. Recentemente, tive a oportunidade de assistir, no History Channel, a um documentário sobre os sete pecados capitais, sendo  um deles a inveja. O documentário afirmava que, por natureza, somos invejosos, só que precisamos trabalhá-la para buscarmos o equilíbrio. Quando temos o desejo de superar alguma situação por causa de um exemplo de alguém que se tambem superou, considera-se uma inveja positiva.Mas a partir do momento que a pessoa invejosa deseja o mal para o invejado, torna-se uma inveja do ponto de vista negativo. Algumas definições para esse pecado foram colocadas, das quais destaco a seguinte: Querer algo para si mesmo e querer que o outro não tenha.

O documentário ainda destacava que a inveja não se refere somente a coisas materiais, mas ela pode ser direcionada tambem para um aspecto social, como por exemplo, uma pessoa que é eleita prefeito de uma determinada cidade e faz uma administraçaõ bem diferente dos prefeitos anteriores, sendo mais eficiente. Algumas pessoas, por inveja, não reconhecem suas qualidades e tentam a todo custo derrubá-la.

Para melhor ilustrar o que seria a inveja, irei apresentar uma pequena fábula:

“Num certo dia, uma cobra voraz desejava a todo custo abocanhar um inofensivo vagalume. Este perguntou-lhe:

– Serpente, tu, que és tão poderosa, porque me desejas aniquilar?

A serpente respondeu-lhe:

– O teu brilho fascina-me e como eu não o posso ter, minguem mais o terá. Por isso quero te devorar.”

Por mais que a pessoa invejosa tenha grandes coisas  e seja uma pessoa poderosa e influente na sociedade, ela nunca fica saciada,  caso descubra que a pessoa invejada tenha alguma coisa que a esteja fazendo feliz. É justamente o caso dessa serpente, tão grandiosa e poderosa e que descobre que um simples vagalume tem algo que a serpente jamais poderá ter. Isso foi motivo suficiente para que a serpente se decidisse pela morte do pequeno inseto.