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Mai24
XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.
Manuel Pinto
... «E como não havia de ser assim se já o senhor Luigi Zuccaro escrevia na sua Iberia Letteraria a propósito de Castillejo:
Fu su contemporaneo il portoghese Gil Vicente (1480-1577) del qual parla a lungo, nel suo grandioso romanzo «Luiz de Camões», il De Campos Junior, celebre scrittore vivente, grande illustratore della storia del suo Portogallo...?
Não me digam que o primeiro caracterizador deste Camões romântico, peralta, amante de princesas, foi Garrett, que eu não contestarei. A obra-prima acabou de sair dos roda-pés do Século. Foi ela que criou a atmosfera camoniana sui generis. Aquele quotidiano, quanto a ressonância no povo, foi sempre o primeiro de Portugal.
Ao Dr. Teófilo Braga agradava também esta figura de altitude, pelo realce que sempre procurou dar à especulação, quando se personalizava em nomes que lhe eram gratos. A par com ele, D. Carolina Michaëlis, se bem que nossa hóspeda, porque seu coração lançou raízes na casa lusitana, dispenseira de bizarria para tudo o que elevasse a terra adoptiva, traduzindo Storck e comentando o poeta tantas vezes, ergueu mais no céu a arce estupenda.
Saiu da conjura generosa de tão altos expoentes um Camões hiperbólico, congestivo de grandeza e avatares. Comparticiparam dela quantos patrioteiros fazem destes casos jogos de supremacia internacional como nos campeonatos da bola, e os parvos, infinita legião que mete por todos os carreiros de Panúrgio e não compreende nem aceita nos autos independência mental, singularidade de visão, self-government do espírito, como se isso redundasse pôr-lhes a geba à mostra.
Não me lincharam as almas inefáveis porque eu não me resigno com duas razões a fazer de negro do Illinois. Mas, ab, se pudessem tuer le mandarin em mim, que entrechoque de mãos à volta do botão da campainha!» ...
(continua)
publicado às 18:42