Fotografia pessoal

«A vida é feita de momentos colecionáveis»

Abril. O meu mês. O mês de pessoas que me são tanto. Trouxe no regaço dias de muita chuva. Mas também de mistério. De comemorações. De reencontros. De realização de sonhos. Este quarto capítulo tinha vários argumentos para ser especial. E não me falhou. Por isso, sei que me deixará cheia de saudades, porque me revestiu de memórias e abraços inesquecíveis. Estou pronta para receber maio! Abril deu-me alento suficiente para seguir viagem, de coração pleno.

Rotas Singulares: Este ano, optei por celebrar o meu aniversário de uma maneira diferente. Portanto, lancei um projeto que estava na gaveta há demasiado tempo. Rotas Singulares surgiu pela profunda admiração que nutro pelo meu país, mas, sobretudo, pela vontade de conhecer o que me é próximo. Porque, não tão raras vezes assim, esquecemo-nos das potencialidades da nossa cidade. Vila Nova de Gaia será a minha musa. E sei que, finalmente, conseguirei provar que o melhor deste lugar não é a vista para o Porto [ainda que seja única].

27: Sou da geração de 92. E abri a porta aos 27 [número, por sinal, que gosto bastante]. Foi um dia muito tranquilo e bonito, cheio de mensagens e telefonemas que aqueceram o lado esquerdo do meu peito. E isso, acima de qualquer outra coisa, será sempre o mais importante. Sinto-me acarinhada pelas minhas pessoas-luz durante todo o ano, mas neste dia não deixaram passar a oportunidade de me surpreender e de estarem um pouco mais perto. Sou uma sortuda. No entanto, como o mês não se fez apenas do meu aniversário, é impossível não destacar o da minha mãe [08/04] e o da minha sobrinha de coração [09/04], para quem organizamos um café surpresa. Quantas datas especiais!

Cantunices: A Cantuna - Tuna Feminina da Escola Superior de Educação do Porto - realizou mais uma edição do seu festival. E eu queria muito estar presente. Não só porque sentia falta de usar a minha capa, num ambiente que me diz muito, mas também porque teria a oportunidade de estar com parte da família que me continua a acolher. É indescritível o reencontro. O abraço apertado. E a sensação de pertença. No final, no que à música diz respeito, o Cantunices esteve à minha medida, porque houve tunas a interpretar Ana Moura, Carolina Deslandes, Tatanka, Virgem Suta... Foi uma noite ganha em todos os sentidos.

Escrever nas fitas: É um privilégio fazer parte do percurso académico de pessoas que se tornam parte de nós. Na mesma medida, é gratificante quando nos convidam a marcar um momento, ainda que os nossos caminhos só se tenham cruzado online. Escrever nas fitas de alguém será sempre significativo. E emocional. Fiquei de coração pequenino, ainda para mais porque uma das pessoas é a minha afilhada, mas muito grata também, pois é um pedaço de história que se eterniza.

Roda Bota Fora: Há melhor do que realizar sonhos? Sinto que não! No passado dia 24 de abril, desloquei-me ao Hard Club para assistir a um espetáculo de comédia, com um conceito original, desafiante e que me enche as medidas. As minhas expectativas iam elevadas, mas conseguiram superá-las. Há projetos que merecem todo o reconhecimento. E este é um deles. Só espero ter a oportunidade de os reencontrar ao vivo.

Pelo meio, regressei a Uma Carta de Distância - e que bom que foi voltar a escrever/receber cartas. Fui contactada pela Bertrand para um novo programa de afiliados. Afonso Cruz colocou um gosto na minha fotografia referente ao livro A Boneca de Kokoschka. Inês Pedrosa reagiu à minha opinião sobre Nas Tuas Mãos. E a Sofia [A Sofia World] convidou-me para ser beta-reading do seu mais recente livro.

O meu ritmo de leitura durante abril foi docemente frenético. E dividiu-se pelos clubes literários aos quais me associei como participante e por um desafio pessoal.

Somos Todos Idiotas // Diogo Faro: A leitura é célere, quer pelo tamanho dos textos, quer pela fluidez do discurso, mas não perde sentido, porque o lado objetivo do autor não fomenta pontas suspensas e desconexas. Muito pelo contrário. Neste retrato contundente, é identificável a eloquência de Diogo Faro. Fossem[os] todos tão idiotas como ele! [Uma Dúzia de Livros // Abril]

Obras Completas de Agatha Christie 1: Ler a Rainha do Crime é sempre uma aposta ganha. Porque consegue criar ambientes imprevisíveis e vários planos de ação, despertando o nosso genuíno interesse em integrar a narrativa e descobrir o[s] verdadeiro[s] culpado[s]. Encantadora, rica e viciante, assim é a escrita de Agatha Christie. Certamente que não ficarei por aqui [The Bibliophile Club // Abril]

Abril de Infância: O dia do livro infantil celebra-se a dois de abril. E eu comprometi-me a dedicar este mês a obras destinadas a esta faixa etária. Assim, aventurei-me a reler A Maior Flor do Mundo [José Saramago], O Limpa-Palavras e Outros Poemas [Álvaro Magalhães], Cinderela [João Cardoso] e Histórias de Tempo Vai, Tempo Vem [Maria Alberta Menéres]. E li Sophia de Mello Breyner Andresen: A Fada Oriana, A Floresta e O Cavaleiro da Dinamarca.

Parque das Maravilhas: Sou fã confessa de filmes de animação. E no dia do meu aniversário tive a possibilidade de ver este no cinema. Que argumento encantador! Fiquei agarrada à ação do início ao fim, porque tem uma mensagem poderosa, comédia, sonho e persistência. Há um traço puro nos diálogos e na forma como o enredo foi construído. Em simultâneo, este filme ensina-nos a não desistir, mesmo quando a nuvem de tempestade se abate sobre a nossa caminhada.

No fim da semana passada, para minha grande alegria, anunciaram a terceira temporada de Einstein. Tão bom!

Os Livros da Minha Infância: As palavras sempre foram uma constante no meu percurso, bem como as histórias. No entanto, talvez numa ordem inversa: primeiro, rendi-me às escritas e, só depois, às lidas. Porque os meus hábitos de leitura não eram tão prioritários como a minha relação com a criatividade que via crescer, através dos meus dedos pequenos e rechonchudos, em papéis que pareciam não ter fim.

Sete // Livros Publicados Em 1992: Nasci no belo ano de 1992. E há muito tempo que pretendo descobrir livros publicados no meu ano de nascimento [o que acontecerá, muito brevemente]. Após alguma pesquisa, cruzei-me com sete títulos que despertaram a minha curiosidade.

1+3 | Morais de A a Z: Hoje, sei que me conheço melhor, até porque compreendi a pertinência de me escutar. Ainda procuro descobrir para onde vou. Contudo, já sei o que quero e, sobretudo, o que pretendo afastar da minha história. E vou-me definindo em cada passo que dou [...] Só ainda não tinha pensado na possibilidade de me descrever através das letras do alfabeto.

Storyteller Dice // Lábios de Veneno: Sombra iminente e sem história/Cruel fim/De um amor solitário/Do outro lado da margem/Do outro lado de mim/Para não mais sobrar

Comprar VS Requisitar Livros: O caminho da generalização é inglório, perigoso e desnecessário. Não só porque nos reduz a um padrão único, mas também pela inutilidade, porque nunca teremos dados suficientes que nos permitam alcançar uma verdade irrefutável. Ainda assim, acredito que um dos maiores dramas de um leitor se relacione com uma pergunta muito particular: comprar ou requisitar livros?

Dona Maria Pregaria: Adoro este espaço, não só pelas opções artesanais de pregos e hambúrgueres, mas também pelo staff extraordinário. Somos sempre bem recebidos. E fazemos por regressar com alguma regularidade. Por isso, para celebrarmos o aniversário da minha mãe, a escolha foi óbvia. Desta vez, optei pelo Alhos e Bugalhos - pastelão de legumes, cogumelos portobello salteados, alface iceberg, tomate assado, maionese de alho e manjericão -, que estava delicioso!

Parlamento: Cá em casa adoramos ir almoçar a Arouca. E uma opção recorrente é o restaurante Parlamento. No domingo de Páscoa, decidimos ir lá e, naturalmente, foi um gosto tremendo. Porque o atendimento é de qualidade e as refeições são sempre divinas.

Nata Lisboa: The World Needs Nata. E eu sinto que nunca concordei tanto com um slogan. A confeção é maravilhosa. Portanto, nunca recuso uma ida a um dos estabelecimentos da Nata Lisboa.

Hard Stone: Na última ida ao Parque Nascente, optamos por jantar por lá, até porque os meus pais teceram elogios à francesinha do Hard Stone. Não foi a melhor que comi em toda a minha vida, mas entrou para a minha lista de favoritas. Que bela surpresa!

Boutique: Permaneço na minha missão de investir em peças que saiam da minha zona de conforto. Portanto, comprei umas calças amarelas, de sarja, que me conquistaram, primeiro, pela cor e, depois, pelo conforto. Além disso, adoro a forma como ficam no corpo. No que diz respeito ao calçado, as sapatilhas são as minhas maiores aliadas. E, tendo em conta que estava a precisar de umas pretas, optei pelas Gazelle [em saldo] e fiquei encantada com a sua leveza. Os batons são uma das minhas perdições. E, como já me rendi à formula dos SuperStay Matte Ink, adquiri o 50, num tom de vinho que adoro!

Uma carta para todas as mulheres vítimas de violência doméstica: Em pleno século XXI, infelizmente, continua a ser imprescindível denunciar abusos e lutar por uma base de segurança que deveria ser nossa por direito. E a Maria do Mar escreveu uma carta que tem que ser lida por todos. Porque é de extrema importância!

Palavras Cruzadas // Pessoas que desculpam as conquistas dos outros: A Rita da Nova escreveu um texto sobre um dos tipos de pessoas que mais me irritam, porque não compreendo a necessidade de desvalorizar o sucesso de terceiros. Era tão melhor se praticássemos a empatia.

E se não fizermos tantos planos?: Quer na licenciatura, quer no mestrado, incutiram-me sempre a importância de planear cada atividade que realizasse no estágio. E tanto eu como a Cláudia, que somos Educadoras de Infância, sentimos esse peso na pele. No entanto, recentemente, ela partilhou uma perspetiva com a qual me identifico, uma vez que, mesmo reconhecendo a pertinência desta ferramenta pedagógica, até para haver um fio condutor, é fundamental não planearmos tudo ao segundo, porque isso vai fazer com que percamos reações espontâneas, que seriam muito mais benéficas para o grupo.

4 razões para dizeres quando o teu conteúdo é patrocinado ou apoiado: A verdade deve acompanhar-nos em tudo aquilo que fazemos, até porque é esta característica que nos aproxima dos outros e nos torna confiáveis. Neste sentido, a Bea abordou um tópico bastante pertinente, porque não há qualquer problema em mencionar que o conteúdo que produzimos é patrocinado/apoiado. Escondê-lo é que pode levantar suspeita quanto à transparência e honestidade do seu criador.

Abril foi particularmente feliz no panorama musical. E trouxe-me, uma vez mais, diferentes registos. Mas também reforçou os laços com artistas que são presença assídua na minha vida. Nesta espécie de manta de retalhos, sei que sou muito grata pela oportunidade de escutar - e viajar através de - sonoridades inspiradoras.

Faixas: Plutonio lançou novidades logo no dia um, disponibilizando 1 de Abril e Dramas & Dilemas. Someone You Loved [Lewis Capaldi] conquistou-se assim que o ouvi na rádio. Os Alice devem estar perto de lançar o seu primeiro álbum, mas enquanto esse momento não chega brindaram-nos com Alice. E Se o Céu Cai Pt1 também tinha que figurar nesta playlist. Não Respondo Por Mim, d' Os Quatro e Meia, integra o álbum Pontos nos Is [2017]. No entanto, esta música tem uma versão 2.0 e conta com a participação de João Só. Difícil Demais [Virgul] veio trazer ritmo a esta lista. Os Novo Amor têm um tema novo: I Make Sparks. E, embalada por esta melodia, acabei por descobrir No Fun e Lucky For You. Miguel Araújo e Tatanka juntaram-se para um dueto memorável e, assim, surgiu Império dos Porcos. Hex, que fiquei a conhecer no concerto de Mishlawi, também tem um tema novo: Inferno. Rendi-me à versão acústica de Don't Call Me Up. Cruzei-me com a canção For You. Deixei-me conquistar por O Menino e a Cidade [Carminho]. E apaixonei-me por um dos duetos mais bonitos que já ouvi: Ana Bacalhau e Diogo Piçarra, com O Erro Mais Bonito.

Álbuns: O dia 5 de abril ficou marcado pelo lançamento de dois discos - OFF, de Zé Manel. E Free Spirit, de Khalid. São duas obras de arte! Através da Catarina Ferreira [Nunca feches os teus olhos], fiquei a conhecer o tema You Say, de Lauren Daigle. E rapidamente me perdi na sonoridade do seu álbum Look Up Child. Que preciosidade.

Sou Menino Para Ir // Finalmente Sem Barba: Salvador Martinha consegue sempre surpreender. E o penúltimo episódio da segunda temporada é de máxima relevância, porque ajuda a quebrar preconceitos e a diminuir a diferença. Mudar mentalidades ainda é prioritário.

Elefante de Papel entrevista Diogo Piçarra: É sempre um privilégio ouvir o Diogo - seja na música, seja em segmentos desta natureza. Porque tem uma alma bonita e inspiradora. Tenho-lhe uma enorme admiração. Que ser humano especial!

Brainstorm 5: Para o quinto episódio do seu podcast, Daniel Carapeto convidou um amigo e um companheiro de palco, Guilherme Fonseca. Sou suspeita, mas foi uma das melhores conversas, pela diversidade de temas e pela pertinência dos mesmos, ainda que tenham mantido um registo bastante descontraído. Tem quase uma hora e meia de duração, mas vale bem a pena - e nem nos apercebemos do tempo a passar.

É frequente tirar alguns minutos do meu dia para refletir. Porque é esta análise introspetiva que me permite valorizar as pequenas conquistas e definir os passos seguintes. Há uns anos, imaginava chegar aos 27 com a minha vida num rumo bem diferente. E isso, inicialmente, poderia provocar-me qualquer tipo de ansiedade e, inclusive, frustração. Hoje, de uma maneira serena, compreendo que estou onde tenho que estar. O que não tem que ser negativo, é apenas uma alternativa distinta. E estou bem resolvida a este nível. Portanto, neste belo mês de abril, estou grata por...

... Ser quem sou. Com as minhas falhas, os meus sonhos, as minhas qualidades. Aprendi a olhar para dentro, a escutar-me e a valorizar a pessoa que me tornei. Estou longe de estar crescida o suficiente, mas tenho força e vontade para construir sempre a minha melhor versão.

... Ter a família - de sangue e de coração - mais incrível. Nunca é demasiado reforçar o quanto sou sortuda por estar rodeada de pessoas-casa, que me acolhem como mais ninguém.

... Aproveitar as oportunidades possíveis para matar saudades. Por celebrar a vida. E por realizar sonhos.