Fotografia pessoal

«Sonhar, viver, agradecer»

A gratidão é um sentimento poderoso e vinculativo, demonstrando o caráter que habita no lado esquerdo do nosso peito. Porque reconhecermos - e agradecermos - o bem que recebemos é a prova que respeitamos o curso da vida, sem darmos algo por garantido. É certo que nem sempre o percurso é auspicioso, dificultando o processo, mas vamos aprendendo a fazer dos contratempos a nossa fortaleza, compreendendo que são mais uma excelente oportunidade para evoluirmos.

Seria, contudo, hipócrita se ocultasse que há circunstâncias que nos fazem vacilar e caminhar sobre uma corda bamba, soltando o trapezista que existe - ou não - em nós. Porque a nossa predisposição não é linear, impedindo-nos de ver a bonança de cada queda. Mas esta condição não é definitiva, podendo ser trabalhada com o intuito de desconstruirmos as revezes do nosso destino. Portanto, nem sempre estaremos bem e é crucial curtirmos a nossa neura - como alguém disse, «às vezes, é preciso dar um passo atrás para podermos dar dois passos à frente» [não garanto que sejam estas as palavras exatas, mas vocês acompanham a ideia]. Porque temos de encarar os problemas e não contorná-los, correndo o risco de ficarem feridas expostas. Além disso, é desta forma que seremos capazes de elencar mecanismos de defesa, que nos permitam olhar para a vida com diferentes filtros.

2020 trouxe-me mais desafios emocionais. No entanto, tendo em conta o panorama, só me posso sentir agradecida por estar bem e saber os meus na mesma realidade. E, para ser justa, este poderia ser o maior agradecimento do meu ano, pois sobrepõe-se a qualquer outro. Ainda assim, senti que tinha condições para destacar 12 pedaços de gratidão.

JANEIRO

Grata pela minha inspiração em movimento.

FEVEREIRO

Grata por ter visto Roda Bota Fora, no Hard Club.

MARÇO

Grata por ter voltado ao Estádio do Dragão.

ABRIL

Grata por ter entrado nos 28 com muitas manifestações de amor.

MAIO

Grata por ter acompanhado Como é Que o Bicho Mexe.

JUNHO

Grata pela luta incansável dos nossos profissionais de saúde e de todos aqueles que, de alguma forma, estiveram na linha da frente.

JULHO

Grata por ser incluída num sonho, celebrando outra vitória dos meus.

AGOSTO

Grata por conhecer lugares maravilhosos do nosso país.

SETEMBRO

Grata por ter matado saudades da minha gémea e da M.

OUTUBRO

Grata pelo retorno em relação à Portugalid[Arte].

NOVEMBRO

Grata pela iniciativa preciosa da Carolina Deslandes.

DEZEMBRO

Grata por poder estar com a minha família, ainda que sem abraços e com todos os cuidados possíveis, só para perceber que estão todos bem - e para desejarmos, juntos, que o próximo Natal já seja com todos à mesa.

Quais são os vossos pedaços de gratidão?