Fotografia da minha autoria

«A minha liberdade é escrever»

A minha escrita acolhe um super poder do qual não abdico. Porque fazê-lo à mão é criar um elo umbilical com as palavras, enquanto as desenho no papel. Além disso, é este registo que me aproxima de uma essência singular, porque sinto-as a ganharem forma por entre os meus dedos.

Este impulso criativo fascina-me em vários sentidos, permitindo-me desacelerar e adequar o foco, visto que, em simbiose com as folhas onde marco pensamentos, não tenho estímulos extra. E é com este efeito quase mágico que exploro os benefícios de um método que, para mim, fará sempre sentido e, ainda, da arte que envolve a nossa caligrafia.

Assim, escrevo à mão por sete motivos

É terapêutico [acalmando hesitações, medos e angústias];

Estimulo a criatividade [construindo a minha identidade];

Estimulo o cérebro e a concentração [permitindo envolver, em simultâneo, a visão, a habilidade motora e a capacidade cognitiva];

Organizo melhor os meus pensamentos [sendo mais fácil detetá-los num texto, até porque, ao escrever, priorizo a memória visual];

Não descuro a ortografia [caso erre na escrita de uma palavra, sou estimulada a perceber onde falhei, o que faz com que não a esqueça];

Valido emoções [a forma como escrevo torna mais intempestivo ou mais sereno o que me pesa no peito, estabelecendo um equilíbrio];

Leva-me num processo de autoanálise e pensamento crítico [porque, ao escrever no papel os meus sentimentos, quase que me desprendo de quem sou. E, ao reler o texto, consigo distanciar-me. Além disso, como escrever à mão leva um pouco mais de tempo, penso com outro cuidado sobre as ideias que vão surgindo, em vez de as digitar com rapidez].

Creio que alguns destes pensamentos também podem ser aplicados à escrita digital. Contudo, sinto que o toque com a caneta é fundamental para despertarmos sensações e tornarmos o processo muito mais íntimo.

Escrevem à mão?