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  PUDOR

Tens as virtudes que bem tive outrora:

Pudor, modéstia, retidão, aurora.

Joias humildes do rapaz que ora

Um bel-prazer casto, a riqueza honesta.

Mas após conhecer-te, abriu-se a fresta

De luxúria, atributo do Inimigo.

Vou perdendo nos meus sonhos contigo

A tão pouca decência que me resta!


Rommel Werneck


NOTAS:

1. Os quatro primeiros versos seguem uma linha de raciocínio, portanto decassílabo sáfico (4a e 8a e 10a) ao passo que os outros versos estão em martelo (3a, 6a e 10a)

2. Amor não precisa ser clichê, o mesmo válido para conflito interno religioso... Fujamos do óbvio.

3.  Vamos tentar construir poemas em formas livres mas em isométricos e rimas. #estudodepossibilidades.