A dureza deste livro é indiscritível. Para quem já leu outros livros sobre as dependências, este consegue superar ou pelo menos equiparar-se na crua realidade com que nos bate.
James Frey conta na primeira pessoa a sua dependência de substâncias como o álcool e as drogas desde muito cedo. Um livro em que as descrições pormenorizadas conseguem até agoniar. Cada pedaço da sua vida é colocado em perspetiva na clínca de reabilitação para onde os pais o levam para fazer um tratamento e, apesar de não acerditar em nenhum dos passos e de fugir às regras da clínica, ele acaba por encontrar o seu caminho. Um caminho que passa pelo amor mas principalmente pelas amizades sólidas que constrói lá dentro. O apoio desses companheiros, ajudam-no a ultrapassar as muitas dificuldades.
A família é outro dos pilares que o levam a conseguir lutar, a responsabilização dos pais, em especial da mãe, por muitas das situações ocorridas na infância, ajudam a compreender alguns dos seus comportamentos, mesmo que James nunca queira admitir que exista outro culpado além dele mesmo pelas suas escolhas. É nesta preserverança e nesta espécie de interiorização da sua vontade, que ele fundamenta as suas ações e que leva a que outros comecem a acreditar que ele iria ser capaz de seguir com a sua vida lá fora. Cada história relatada é uma lição de vida.
Nascido em Cleveland, James Frey levantou uma onda de polémica com a edição deste livro, mas é também descrito como um escritor promissor. Acredito que sim, e estou já a procurar o livro que penso que dá continuidade a este, "My friend Leonard".