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Mais sobre o livro aqui

Porra. Foi esta a palavra que me veio à cabeça quando terminei este livro e, para ser honesto, várias vezes também ao longo do mesmo. Porra o livro é muito bom, porra, a escritora consegue fazer maravilhas com as palavras, porra, mesmo sendo ficção não é difícil concluir que tudo o que aqui é relatado pode com certeza já ter acontecido de facto.

Patrícia Reis refere numa das entrevistas que tive oportunidade de ler que que as crianças referidas no livro não existem, no sentido em que não traduzem a experiência de nenhuma criança que tenha conhecido, ou que tenha sabido da história ao longo da pesquisa para o livro. Mas também refere que personificam pedaços de histórias de muitas crianças que podem existir de facto, o que e infelizmente, por muito que choque, não custa a acreditar.

Há uma frase em particular que acho muito relevante numa das entrevistas que li e na qual assenta uma parte importante do livro:

"A ideia de que a criança é um objeto que se adquire e que se devolve, como se tivesse defeito ou como se estivesse estragada, é uma ideia com a qual não queremos ser confrontados de maneira nenhuma"

“As crianças invisíveis” é um livro forte, que mexe com qualquer pessoa que tenha os seus valores e princípios no sítio, no limite, revolta até, por se saber que é uma ficção que existe.

A autora faz um trabalho magnífico de escrita, na transmissão de ideia e em particular de sentimentos. É uma escrita que agarra o leitor, e é sem dúvida, um excelente livro. Fica no meu top deste ano.

Para quem pode ter interesse em saber mais, ou precise de convencimento adicional para ler o livro, deixo o relato de Carlos Vaz Marque no “Livro do Dia” e uma entrevista com a autora.

Entrevista de Patrícia Reis

O Livro do Dia - "As Crianças Invisíveis"