Um livro de Sofia Hayat: "Desonrada", que li em finais de 2012 e que é uma magnífica história contada na primeira pessoa. Uma história que consegue mexer verdadeiramente com os nossos sentimentos.
Sofia é uma menina, diferente dos outros pelas suas origens culturais, pela pele mais escura e pelo formato do seu nariz, é alvo de bullying nas escolas que frequenta. É gozada por todos.
Em casa, as regras culturais demasiado rígidas, os casos do pai com outras mulheres debaixo do nariz da mãe e uma tentativa de violação a que é sujeita pelo tio que a faz ser castigada por contar e manchar assim o nome e a honra da família, fazem-na começar a auto-mutilar-se afastando assim de si a dor emocional através da dor física intencional que a si mesma tenta provocar.
Sofia acaba por despertar para a vida e começa realmente a tentar lutar pela sua felicidade, contra a vontade dos pais e da família e correndo risco de vida.
"Desonrada" é uma história marcante, atual e comovente, que retrata ma sociedade em que é agora que as mulheres estão a tentar fazer-se ouvir, como seres de direitos. Sofia é uma dessas mulheres lutadoras, jovem, aclamada por uns e odiada por outros, que passa de uma infância complicada a uma vida de estrela.
Um dos aspetos que me cativou nesta história, foi a presença de dois mundos em colisão num mesmo cenário. Enquanto Sofia cresce em Inglaterra, num país livre, a sua cultura tenta obrigá-la a casar muito nova numa união arranjada pelos pais de ambos os futuros noivos, num país totalmente desconhecido para ela, há um outro mundo em contraste, onde se encontram os meios e oportunidades que Sofia podia apreciar nos seus colegas de escola.
Este contraste torna-se progressivamente mais evidente para culminar num ponto de ruptura com o passado no momento em que a própria mãe de Sofia contrata um assassino. Uma história surpreendente.