Consegui finalmente arranjar tempo hoje para acabar de ler "O Pianista de Hotel", de Rodrigo Guedes de Carvalho. Quem conhece sabe que além de escrever bem, o Rodrigo é também jornalista.
Neste livro, a música não é apenas a perfeita ligação entre dois mundos, o dos vivos e o dos mortos, é também uma intensa sobreposição de sentimentos. Vidas normais que se vão cruzando na mesma cidade, passando pelos mesmos locais e tantas vezes sem repararem umas nas outras. Cada personagem tem uma vida própria e uma história profunda por trás. A perda e a morte são os motores principais das sensações despoletadas, mas há também outras, como o amor, a traição, o desapego, a solidão, o vazio e a até a raiva e a compaixão.
As personagens principais, são todas elas muito densas e chegam-nos acompanhadas dos seus próprios fantasmas, medos e preconceitos, que acabam por reconhecer e aceitar. Além disso, o livro fala também da doença mental, da violência doméstica, da pedofilia, da homossexualidade e do assédio sexual. Temas atuais e que nunca são demasiadamente explorados.
O livro não tem um final feliz, mas se virmos bem tem um final normal, tal como se passa na vida real, em que umas coisas podem melhorar, outras piorar e outras, manter-se-ão tal como sempre estiveram, porque nada as vai mudar.
E tal como diz na contracapa:
"Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações." (...) Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico thriller psicológico."
E o próprio do Pianista? Não vos vou contar tudo, mas é realmente uma revelação que, apesar de me ter passado pela mente uma vez durante a descrição do mesmo, achei: " Não, ele não iria tão longe..." ou será que iria? Leiam e descubram!