Por vezes sinto que o universo dos livros, dos leitores e da leitura é muito pequeno neste país que também não é grande. Depois, de repente, parece que falar dos livros, ou melhor de receber livros e de livros em cenários elaborados é “supé bem”, ou melhor é “fashion” ou lá o que é. Criam-se cenários para mostrar os livros, com velas, decorações com cores a condizer. Um dia destes, por coincidência, troquei alguma palavras com pessoas que se encaixam na categoria acima. O interesse principal de conversa era o cenário para mostrar o livro, não tanto o livro. Construímos paisagens para divulgar livros, disse uma delas. Adoro fazer vídeos para abrir as caixas e mostras os livros, riu-se entusiasmada outra. Os meus seguidores adoram os meus posts elaborados, disse um terceiros. Mas falam pouco dos livros na maioria das vezes, não?, perguntei. Silêncio e repudio foi o que senti. Claramente não percebo nada disto. Ao abandonar a conversa dei conta que uma delas disse para um colega que eu só falava de livros chatos e desinteressantes que ninguém lê. Deve ser isso. Se esses grandes influencers acham, só pode ser verdade… e agora que já escrevi este desabafo, vou ali ler mais algumas páginas de um livro desinteressante.
Desabafo livresco
mercado editorial, redes sociais, influenciadores digitais, cultura da leitura, critica social
Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros