Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
Eu nunca havia visto um musical, e nunca havia parado para pensar como um musical podia ser.
Dito isso, vou ao Kennedy Center e vejo Billy Elliot, the musical, em cartaz, últimos dias. Vejo que ganhou dez Tony Awards em 2009 (o Oscar do teatro americano), inclusive de melhor musical.
Penso: por que não começar com esse?
Chego à Opera House, um dos salões do Kennedy Center, e fico impressionado com a beleza do lugar. Provavelmente todos os 2350 assentos estão ocupados. Meu assento é o K-102: décima primeira fileira, bem de frente ao palco. Perfeito!
Conversava com o colega da CGU que foi comigo antes do início do espetáculo. Meu medo era que eu perdesse muito dos diálogos por conta de a minha fluência com o idioma ainda não estar devidamente exercitada. “Que nada”, diz ele. “O espetáculo costuma ser tão grandioso que mesmo que você não entenda, terá valido a pena”.
Duvido um pouco de suas palavras em meu íntimo, mas guardo essa desconfiança comigo.
E então o show começa.
A partir daí não há muito o que escrever. Nem adianta colocar fotos ou vídeos (e há diversos vídeos do musical no youtube). É para algo assim, para uma experiência dessa natureza que inventaram a palavra INDESCRITÍVEL. Só estando lá para ver como o conjunto é bem maior que a mera soma das partes. Há os números musicais, mas há o drama, há a comédia. Há sapateado, a música, muita música. Uma orquestra inteira escondida sob o chão, tocando ao vivo e os atores cantando e dançando, e se movimentando. Jamais param. Quando termina uma cena, eles saem arrumando o cenário enquanto outros já entram trazendo cadeiras, empurrando camas, recolhendo chapéus. E o espetáculo não para.
Eu vi Billy Elliot, o filme, umas duas ou três vezes, a primeira delas, para a minha sorte, no cinema. É um belíssimo filme, mas que ficou, com todo respeito que tenho ao cinema, pequeno diante desse musical. O roteiro está todo lá. Até o diretor é o mesmo, Stephen Daldry, com mais experiência no teatro que no cinema. Mas o clima burlesco, teatral, de quem acabou de fazer um drama e já emenda com uma piada quase circense, para não esquecermos um só momento de que estamos ali para vivermos emoções, torna a experiência muito mais intensa.
Billy Elliot narra a história do menino de 11 anos que dá nome ao show, um filho de mineiro que vive em uma pequena cidade da Inglaterra no início dos anos 80, em meio à crise das minas de carvão. Sua mãe morreu quando ele era bem pequeno, e restaram sua avó, meio senil, um eterno alívio cômico para o espetáculo, seu pai e seu irmão mais velho, ambos mineiros que entram em greve e acabam envolvidos diretamente na briga contra as demissões contínuas dos mineiros.
Billy treina boxe, mas um dia acaba ficando até mais tarde e começa, meio sem querer, a estudar balé com uma professora meio frustrada. Acaba revelando um enorme talento e, naturalmente, seu pai, extremamente machista, não vai gostar muito da ideia de ver seu filho se tornar um bailarino.
O espetáculo tem 150 minutos de duração, com direito a sapateado, balé, obviamente, comédia, drama, solos de guitarra, uma dança do Lago dos Cisnes com “eco” (Billy criança dança com Billy adulto, belíssimo) e muita, muita emoção. Um show inesquecível.
Ah! E quanto ao inglês, perdi várias partes da letra de algumas músicas, nada que realmente prejudicasse o show. Já em relação aos diálogos, fiquei surpreso ao conseguir entender claramente quase tudo que aqueles atores de forte sotaque britânico diziam.
