30
Jul20
Maria do Rosário Pedreira
Um dia destes, alguém aqui no blogue, a propósito da crónica de Pérez-Reverte em que se criticava o afastamento das línguas clássicas do curriculum da Escola Secundária no país vizinho, queixava-se, no fundo, de que aqui em Portugal os intelectuais já pouco se pronunciavam sobre questões deste tipo (que mereceriam deles protesto, crítica e reflexão), preferindo quiçá viver burguesmente na sua torre de marfim e pouco querendo saber do que não os afecta directamente. É verdade, pelo menos em parte, que não vemos muitos escritores ou artistas andarem por aí içando bandeiras ou pondo o dedo na ferida; mas, quando os jornais reduzem o seu espaço de opinião ou deixam de querer ouvir as opiniões de quem pode pôr em causa os seus donos e amigos, claro que também não estão as coisas facilitadas... Em todo o caso, há uma excepção que salta à vista, a de Lídia Jorge, que é talvez no nosso país a escritora que melhor tem reflectido sobre o mundo presente e mais eloquentemente tem dado o peito às balas em entrevistas e crónicas radiofónicas. Há, de resto, um livro que reúne essas crónicas lidas na Antena 2 que vale muito a pena intitulado Em Todos os Sentidos, livro que traduz o seu pensamento muito crítico (e às vezes quase furioso) sobre certos aspectos da actualidade. Se nunca ouviu, leia. É a minha recomendação para hoje.