Fotografia da minha autoria

«... através das vidas de quem o fez grande»

Mulher. De peito aberto para o mundo, lutando pela liberdade que a faz renascer, qual botão de camélia em flor. Há dois anos, escrevia que nunca tinha ambicionado não ser mulher, embora o contexto social pareça mais promissor para o género masculino. E reforço essa certeza, sobretudo, quando me cruzo com testemunhos poderosos, de antepassados que não conheci, mas que me inspiram a nunca perder a minha voz.

A coleção Grandes Vidas Portuguesas, resultante da parceria entre a Pato Lógico e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pretende homenagear as personalidades que tornaram o nosso país maior. Assim, focando-se nas distintas áreas da nossa História, dedicaram volumes a nomes que, pela sua inteligência, bravura e perseverança, continuam a ter impacto na atualidade. Não só porque foram percursores de causas nobres, mas também porque nos permitem perceber «as nossas raízes políticas, sociais e culturais». Idealizada para um público jovem, creio que não deixa de ser uma obra transversal a diferentes gerações - até porque representam marcos históricos, que devem ecoar nas nossas memórias.

Observando os títulos disponíveis, sinto que todos ficariam bem na minha estante. Porém, houve sete que me despertaram particular interesse, visto que têm em comum o facto de serem sobre mulheres. Após uma partilha do Cita-Livros, percebi que esta poderia ser a minha modesta celebração do empoderamento feminino. Como? Conhecendo as mulheres que procuraram, cada uma à sua maneira, desafiar a mudança.

QUEM SÃO AS MULHERES PRESENTES NA 

COLEÇÃO GRANDES VIDAS PORTUGUESAS?

Para começar, uma vez que pretendia, primeiro, descobrir a envolvência narrativa, encomendei dois livros. Já li ambos e fiquei bastante surpreendida. Porque são histórias curtas, com ilustrações maravilhosas, a transmitir uma mensagem imprescindível. E, inclusive, a impulsionar-nos a pesquisar mais sobre estas figuras ilustres. Portanto, não tardará muito até que os restantes exemplares venham fazer companhia a Carolina Beatriz Ângelo: Um Pequeno Grande Gesto de Coragem e a Ana de Castro Osório: A Mulher Que Votou na Literatura.

 Carolina Beatriz Ângelo: Um Pequeno Grande Gesto de Coragem 

«A história da militante feminista que se tornou a 

primeira mulher a votar em Portugal e no Sul da Europa»

Amália Rodrigues: Um Lugar Misterioso

«Amália Rodrigues é mais do que a grande cantora que fez 

do fado um género universal. Amália é a alma de um país»

Carmen Miranda: Eu Fiz de Tudo Pra Você Gostar de Mim

«A pequena genial, como Carmen Miranda ficou conhecida, 

foi muito mais do que uma grande vedeta da música»

Sophia de Mello Breyner Andresen: Quem Era Sophia?

«Figura ímpar na literatura portuguesa, distinguiu-se 

como poeta e autora de histórias para crianças»

Antonia Ferreira: A Desenhadora de Paisagens

«Empresária numa época em que o negócio era território, praticamente, exclusivo dos homens, herdou o apelido e as vinhas do pai, mas o nome Ferreira foi mais longe pela sua dedicação ao vinho do Porto»

Marquesa de Alorna: Querida Leonor

«A Marquesa de Alorna nasceu em Lisboa, em 1750. Apesar das tragédias da sua infância e juventude, Leonor tornou-se uma influente 

patrona das artes, assinando os seus poemas como Alcipe»

Ana de Castro Osório: A Mulher Que Votou na Literatura

«Pioneira na luta pelos direitos das mulheres em Portugal, Ana de Castro Osório é a mãe da literatura infantil no nosso país»

O curso da História pode mudar, graças a pessoas que lutam contra normas pouco inclusivas e equitativas, tal como verifiquei nos volumes sobre Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório. Mesmo que cada um destes livros se leia num sopro, reforça-se a importância da justiça, da paz, da liberdade e do respeito. E, principalmente, do orgulho que é ser Mulher, ainda que necessitemos de batalhar e derrubar muros maiores. Destemidas, o nosso futuro será de conquista.

Que outros nomes poderiam figurar nesta lista?

Feliz Dia da Mulher!