A Malnascida conta a história de duas amigas. Uma só queria sentir-se amada e ter amigos e a outra achava que trazia a maldade consigo e que era capaz de a passar aos outros.

Madalena, apelidada de Malnascida e Francesca, são duas crianças, quase pré-adolescentes, de duas realidades distintas. Francesca vem de uma família de posses, enquanto a Madalena faz parte de uma família pobre. Neste livro é nos contada toda a história de amizade entre as duas, como começa, como se tornam inseparáveis e de certa forma como acaba.

O livro começa de uma forma bastante intensa e ficamos um pouco em suspenso até ao final do livro para saber o que aconteceu. Esta parte foi interessante, porque prende ao livro, mas teve outras partes no desenrolar da história que foram um pouco previsíveis o que para mim resultou em algumas quebras na leitura. A história é passada em Itália na segunda guerra mundial e tem referências a isso mesmo.

A minha personagem preferida foi o pai de Francesca, passou por várias fases difíceis ao longo da sua vida, mas nunca desistiu. Acho que é o reflexo de muitos pais que amam os filhos mas que não sabem ou nunca aprenderam a demonstrar por afetos, demonstram em pequenas coisas que nem sempre são fáceis de entender.

Este livro mostra-nos o que é uma amizade verdadeira, a força que muitas vezes é preciso para que nos aguentemos e o quão bom é termos alguém que nos compreende e apoia nos bons e nos maus momentos.

Acho que este é um livro que pode dividir opiniões. A própria autora refere na nota que este livro tem alguns ecos de Elena Ferrante, que pelo que sei tem uma saga sobre a amizade, e isto pode fazer com que caia no campo das comparações. A meu ver seria errado e injusto porque este é o livro de estreia de Beatrice Salvioni. Para livro de estreia acho que está muito bem, é coerente, organizado e tem partes que mexem com os sentimentos do leitor.

Breve descrição da autora do livro

Beatrice Salvioni

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Beatrice Salvioni é escritora, formada em Fiologia Moderna pela Universidade Católica de Milão e com um curso na escola de escrita em Turim.

A Malnascida é o seu primeiro livro publicado, que foi traduzido em 32 idiomas. Em 2021 ganhou o “Prémio Calvino” com o conto “Il volo notturno delle lingue mozzate”. Com A Malnascida, o seu primeiro livro publicado e traduzido em 32 idiomas, ganhou em 2023 o “Prémio Scuola Holden”, para melhor livro narrativo traduzido e melhor livro do ano. O mesmo vai ser adaptado para uma série.

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