Fotografia da minha autoria

«As melhores lembranças são feitas de boa comida»

O Porto tem história. E um foco gastronómico que aquece a alma e nos faz crescer água na boca. E a verdade é que não faltam novos restaurantes - de comida tradicional e não só - a colorir a cidade Invicta. No meio de tantas opções, o difícil é mesmo escolher - ou, então, não regressar àquelas que já conhecemos de cor. No entanto, independentemente do veredicto final, qualquer refeição tem mais encanto quando é partilhada. E, de preferência, numa mesa redonda, que será sempre - e perdoem-me o lugar comum - a melhor rede social.

Os meus pais celebraram 31 anos de casamento, na passada quarta-feira. Por isso, para comemorar a data e esta caminhada inspiradora, optamos por voltar a um espaço que nos foi apresentado por um casal amigo. Não sei o que vos parece comer uma Francesinha com vista para o Douro, mas, para mim, significa associar o melhor de dois mundos - ainda que, desta vez, tenha privilegiado um menu italiano. E eu gosto de locais assim, que me permitam desfrutar da paisagem e, claro, da comida; que me permitam, na chegada e na despedida, ser envolvida pelo calor desta margem que me faz sentir em casa. Localizado na Alameda Basílio Teles, este podia ser o cartão de visita do Capa No Rio.

O nome pode remeter para um grupo familiar. E com toda a razão. Porque este restaurante pertence ao emblemático Capa Negra, que abriu o seu primeiro estabelecimento, no Porto, «há mais de 40 anos», reinventando-se desde então. Nesta nova ramificação aposta-se nos sabores de sempre, como as Francesinhas e os Rissóis, mas também se evidencia as Pizzas, as Massas e os Risotos. Há, portanto, uma intenção clara de não perder identidade, sem que isso implique estagnar e fechar portas à modernização. Ainda só fui ao Capa No Rio duas vezes. Porém, fiquei agradavelmente surpreendida em ambas. Porque o atendimento cuidado e eficiente aliado à confeção deliciosa são dois grandes pontos a favor.

Centrando-me, maioritariamente, na segunda visita, os meus pais pediram Bife à Cortador - bem servido para duas pessoas - e eu não resisti à Pizza Tropical, de massa fina e crocante, que estava no ponto! Para a sobremesa, a minha mãe escolheu Tarte de Bolacha - cujo empratamento me deixou encantada. E eu repeti a escolha da primeira vez: Cheesecake de Oreo, que é uma autêntica perdição. Embora só possa tecer elogios a este jantar, não seria correto não mencionar a minha estreia neste restaurante, que só poderia ter acontecido com uma Francesinha. Além disso, tive a oportunidade de provar os Rissóis e de constatar que são uma maravilha. A fama é justificável. Quanto a valores, dependerá sempre do que selecionarem, mas não sinto que seja um sítio dispendioso, sobretudo, atendendo à apresentação, ao local e à qualidade - do serviço e do menu.

Uma particularidade interessante e, a meu ver, original é que a ementa é um jornal. E são estes detalhes que fazem a diferença. Esteticamente, é um espaço aconchegante, bem iluminado, com uma decoração amorosa e leve, destacando traços em madeira que eu adoro. Para além da sala interior, existe uma esplanada, para aproveitarmos o tempo quente e a vista de tirar o fôlego. O Capa No Rio está a crescer. E não lhe faltam argumentos para nos conquistar. Recomendo!