REVISTA VARIAÇÕES
indústria musical portuguesa, imprensa cultural independente, jornalismo musical, valorização da arte nacional, mídia alternativa
Fotografia da minha autoria «Música para variar» As pessoas são feitas de causas. De lutas - mais ou menos nobres - que revelam sempre as suas motivações. Os seus gostos. As suas crenças. Eu não me demarco desta realidade - nem tinha razões válidas para tal - e, atendendo às inúmeras categorias nas quais posso despender energia, sou muito sensível à música, sobretudo, portuguesa. Porque acredito que transbordamos talento. E porque defendo que os artistas portugueses são dignos de mais reconhecimento. Está na hora de aprendermos a olhar para dentro e de valorizarmos o que é nosso! A Revista Variações surgiu um pouco no seguimento desta linha, através «de um grupo de jovens que se juntou à volta do interesse pela nova música portuguesa e não só, mas que não a encontra nos media atuais». Embora não sejam profissionais, nem disponham de grande financiamento, partilham uma vontade imensa de descobrir e destacar o que se faz de melhor nesta área - e nesta arte. E nós ainda continuamos a precisar de uma voz ativa, que desconstrua «a ditadura dos cliques», porque há mais mundo do que aquele que nos chega - nas rádios, na imprensa, na televisão. Há mais nomes. Mais estilos. Mais dialetos emocionais e identitários. Além disso, precisamos de uma voz que demonstre que este é um meio em constante evolução, quebrando estereótipos e a subtil mensagem de que apenas contam os artistas de elite. Porque há espaço para todos - músicos e público -, mas é um panorama que carece de igualdade nas oportunidades e na exposição. O nome deste projeto não podia ser mais adequado. Não só pela sua ousadia, pela coragem, pelo compromisso, mas também pela variedade, pelo cuidado, pela filosofia independente e inspiradora. A equipa acredita que «a música que se faz no nosso país não pode continuar a ficar só nas grandes cidades», portanto, tem a preocupação de divulgar o que acontece de norte a sul. Outro aspeto a considerar é a luta pela difusão da novidade, uma vez que não a quer «ver morrer no silêncio dos meios de comunicação». Nesta ordem de ideias, fomenta «um jornalismo musical que fale a quem quer ouvir e conhecer», criando novas plataformas que permitam promover, debater e pensar sobre a música que é produzida neste jardim à beira-mar plantado. Por fim, mas não menos importante, os fundadores desta iniciativa «não querem um Portugal onde a música de que se fala seja sempre a mesma». Todos estes pensamentos estão claros no seu Manifesto e na entrega que passam do digital - site - para o papel. Desde críticas discográficas a reportagens, sem esquecer as entrevistas, é possível encontrar um pouco de tudo nesta revista mensal, de formato mais pequeno, com um design, texto e fotografia originais. Tudo é pensado ao detalhe. E eu não seria capaz de não investir na Variações. Porque estão a desenvolver um conceito com propósito. Com conteúdo. E com imensa qualidade! É com a paixão de pessoas atentas que avançamos e crescemos. E não duvido de que este projeto terá um papel preponderante. «Porque a culpa é da vontade» e desta insatisfação, que nos leva a encontrar um «lugar que acerte bem» connosco. Eles caminham na direção certa. Porque privilegiam a diversidade e vários palcos. Por isso, manter-me-ei, enquanto leitora, no mesmo compasso, sentido e partilhando esta luta. Obrigada ♥ [Podem encomendar a revista por e-mail, através do instagram ou adquirindo-a num dos postos de vendas. Saibam mais aqui]
Texto originalmente publicado em Entre Margens